A dívida global e o deficit orçamentário do Japão não são suportáveis a médio e longo prazo, advertiu o subdiretor geral do FMI (Fundo Monetário Internacional), Naoyuki Shinohara.
Com uma dívida de 200% do PIB (Produto Interno Bruto), o Japão teve sua nota a longa prazo rebaixada a AA- pela agência Standard & Poor's em janeiro. Esta é a quarta melhor nota possível em um total de 22.
"Se a situação orçamentária atual prosseguir, isto provocará problemas", disse Shinohara.
Metade do orçamento do Estado nipônico é financiado pela venda de novos títulos do Tesouro.
Em janeiro, no Fórum Econômico Mundial de Davos, o Japão, junto com os Estados Unidos já haviam sido advertidos pelo fundo para combater seus inflados deficits orçamentários, com o FMI e agências de classificação de risco exigindo provas de que os países podem controlar a dívida pública.
O FMI disse que as duas maiores economias do G7 precisam apresentar planos críveis de redução de deficit antes que os mercados percam a paciência e vendam seus bônus.
No dia 28 de janeiro, o primeiro-ministro japonês, Naoto Kan, prometeu aprovar reformas tributárias com o objetivo de conter o endividamento do país, mas a oposição pouco colaborativa e divisões dentro do próprio partido governista tornam pequenas as chances de sucesso.
"O importante é manter a disciplina fiscal e garantir que a confiança do mercado nas finanças públicas do Japão", disse Kan na ocasião -- ele é o quinto premiê japonês desde 2006 e assumiu em junho.
A Standard & Poor's cortou o rating de longo prazo do Japão pela primeira vez desde 2002 na quinta-feira, e horas depois a Moody's alertou que, embora pequeno, o risco de os EUA perderem a nota "AAA" está aumentando.
"Em economias avançadas, onde a sustentabilidade fiscal não tem sido uma preocupação do mercado, planos fiscais críveis para além de 2011 precisam ser implementados urgentemente para segurar o sentimento benevolente do mercado", disse o FMI no relatório "Monitor Fiscal".
Kan tornou prioridades as reformas tributária e social, incluindo uma alta planejada no imposto corporativo de 5%, diante do custo crescente do envelhecimento populacional japonês e da dívida pública, que é a maior entre as nações desenvolvidas.
O premiê precisa de ajuda dos partidos de oposição para aprovar amplas reformas e um Orçamento recorde de US$ 1 trilhão, mas analistas disseram que o rebaixamento de rating pode levar os parlamentares a apoiar a causa do governo.