O governo da Líbia autorizou a Venezuela a criar uma missão de paz que intervenha na crise política que atinge o país norte-africano, segundo uma carta do ministro das Relações Exteriores líbio, Mussa Kussa, lida pelo chanceler venezuelano Nicolás Maduro nesta sexta-feira (4), durante uma reunião em Caracas.
"Nós os autorizamos [a Venezuela] a tomar todas as medidas necessárias para selecionar os integrantes e coordenar sua participação nesse diálogo", leu Maduro um trecho da carta, durante a reunião da Aliança Bolivariana para os Povos da América (ALBA) em Caracas.
- Ao mesmo tempo em que valorizamos altamente as posições nobres e firmes para o nosso povo líbio, afirmamos nosso apoio à iniciativa de sua excelência, o presidente Hugo Chávez, relacionada à formação de uma comissão de bons ofícios.
Uma missão formada por "Estados ativos e influentes da América Latina, Ásia e África contribuiria para promover o diálogo nacional e ajudar na conquista da segurança e estabilidade do povo líbio", acrescentou a carta.
A proposta foi lançada nesta semana pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, um aliado próximo ao líder líbio Muammar Gaddafi na América Latina. A ideia conta com o apoio também da Liga Árabe.
Chávez propôs enviar de uma missão internacional à Líbia, formada por vários países amigos com objetivo de evitar uma guerra civil no país. O líder venezuelano advertiu que uma eventual intervenção militar externa na Líbia seria uma "catástrofe".
Porém, os líderes rebeldes rejeitaram nesta quinta-feira (3) a oferta de Chávez, insistindo na necessidade do ditador Muammar Gaddafi deixar o país.
Hoje, um representante rebelde e ao menos 30 civis morreram quando forças de seguranças leais a Gaddafi tentaram retomar a cidade de Zawiya, próxima à capital, que está há dias contra o governo, disseram moradores.
A Liga Líbia dos Direitos Humanos anunciou que há ao menos 6.000 mortos desde o início da crise, em 15 de fevereiro. Já os números oficiais apontam 300 mortes.
Ditador retoma território dos rebeldes
As tropas líbias voltaram a bombardear posições rebeldes nesta sexta-feira pelo terceiro dia consecutivo, no leste do país, enquanto o Gaddafi reprimiu fortemente protestos na capital da Líbia, Trípoli, informou o jornal parisiense Le Figaro. Com um correspondente da cidade, a publicação relata que houve feridos em uma tentativa de manifestação na praça Verde.
A Força Aérea da Líbia lançou "uma bomba sobre o exterior da base militar próxima a Ajdabiya", declarou Mohamad Abdalah, insurgente que lutava na última barreira da cidade, na estrada para Brega (70 km a oeste), onde violentos combates ocorreram na última quarta-feira (2). Enquanto isso, Saif al Islam, filho de Gaddafi, disse que tais ações são apenas para assustar.
Outros opositores confirmaram o bombardeio, que não teria causado vítimas ou danos materiais.
Brega, um porto petroleiro, e Ajdabiya são dois pontos estratégicos na estrada que liga Trípoli a Benghazi (1.000 km a leste da capital), transformada em bastião da insurreição iniciada em 15 de fevereiro.
As tropas do coronel, por sua vez, mantêm o controle do oeste, perto da fronteira com a Tunísia, onde milhares de pessoas que fugiram da repressão líbia tentam atravessar a fronteira, indicou em Genebra o Alto Comissariado da ONU para os Refugiados (Acnur).
Uma outra batalha, em Ras Lanuf, ganha proporções importantes, de acordo com o correspondente do jornal britânico The Guardian no local.
Obama diz que estuda "todas as opções"
O presidente americano, Barack Obama, indicou nesta quinta-feira (3) que estudava "toda gama de opções" disponíveis para acabar com "a horrível violência".
- A violência deve parar. Muammar Gaddafi perdeu a legitimidade para liderar, e deve sair.
Devido ao temor de protestos após as orações de sexta-feira, a internet amanheceu cortada na capital.
Em Brega, os atemorizados habitantes montaram baterias antiaéreas para se defender.
Os bombardeios de quinta-feira também não deixaram vítimas. Os de quarta-feira foram em apoio a um ataque terrestre, que foi repelido após violentos combates, que terminaram com a morte de nove rebeldes e três agressores.