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Delegação do governo líbio aceita negociar com rebeldes

26 de março 2011 - 13h46 Por Redação Douranews, com Abril
Delegação do governo líbio aceita negociar com rebeldes

A delegação do governo líbio, que participa de uma cúpula, na capital da Etiópia, com membros da União Africana (UA) e dos Governos de Rússia, China, Estados Unidos e França, aceitou as propostas da UA, que incluem reformas democráticas e diálogo com os rebeldes. "Estamos dispostos a iniciar o Mapa do Caminho do Comitê do Conselho de Paz e Segurança da UA, incluída a adoção e aplicação de uma política que satisfaça às aspirações do povo líbio de maneira pacífica e democrática", disseram os enviados líbios em comunicado distribuído aos meios de comunicação.

O texto acrescenta que o Executivo líbio se comprometeria a um cessar-fogo se a mesma medida fosse imposta aos rebeldes.  A Líbia "se comprometeu a um cessar-fogo. A comunidade internacional deve impor as mesmas obrigações às outras partes. Também aceitará uma missão de observadores da UA para supervisionar o cessar-fogo", diz o comunicado. Além disso, a delegação, liderada por Mohammad Al-Zawi, presidente do Congresso do Povo, pediu o fim dos bombardeios e do bloqueio naval e solicitou "a suspensão do embargo econômico, que agravou o sofrimento do povo líbio".

O ex-premiê da Líbia, Abdul-Ati al-Obeidi, disse ainda na reunião que o governo de Muamar Kadafi está pronto para negociar com os opositores e, talvez, até aceitar eleições. No entanto, os insurgentes não estavam representados na reunião de Adis-Abeba, já que os líderes do Conselho Nacional de Transição recusaram o convite, pois a agenda do encontro não incluía a renúncia de Kadafi.

Mapa do caminho - O presidente da Comissão da UA, Jean Ping, disse durante o encontro que se chegou a um acordo para a determinação de um Mapa do Caminho para resolver a crise. A proposta incluiria a formação de um governo de transição, a convocação de eleições e a criação de instituições democráticas.

Segundo fontes da UA, a reunião esteve dividida quanto às formas de resolução para a crise: a Argélia liderou o grupo que tentava obter um cessar-fogo seguido de negociações que aproximassem ambas as partes, enquanto a Turquia pôs como condição que Kadafi abandonasse o poder. Ping disse que o papel da UA continuará sendo estritamente político, com o objetivo de ajudar na obtenção de um acordo entre as partes envolvidas no conflito.

Mortos pelo Ocidente - Pelo menos 114 pessoas morreram e 445 ficaram feridas de domingo a quarta-feira nos bombardeios da coalizão internacional sobre a Líbia, anunciou nesta sexta-feira à noite uma autoridade do Ministério da Saúde líbio. Perguntado se as vítimas eram civis, Khaled Omar declarou que "não era da incumbência de (seu) ministério fazer uma distinção entre vítimas civis ou militares".

Segundo Omar, 104 pessoas morreram em Trípoli e nas imediações e dez em Sirte, cidade natal de Kadafi, mais de 600 km a leste de Trípoli. Um primeiro registro anunciado na quinta-feira pelo porta-voz do regime, Musa Ibrahim, indicou "cerca de 100 mortos" entre os civis.