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Qathafi enviou representante ao Reino Unido, diz jornal

01 de abril 2011 - 11h59 Por Redação Douranews, com Reuters
Qathafi enviou representante ao Reino Unido, diz jornal

O ditador da Líbia, Muammar Al Qathafi, teria enviado um alto representante de seu governo para conversas no Reino Unido, revelou nesta quinta-feira o jornal britânico "Guardian".

Segundo o diário, Mohammed Ismail esteve em Londres nos últimos dias e teve reuniões com diversos representantes das potências que participam das operações na Líbia.

Fontes ligadas ao governo britânico estimam que Ismail manteve tais contatos durante a conferência de quase 40 países, na última terça-feira (29).

As revelações do "Guardian" chegam no mesmo dia em que dois importantes aliados de Qathafi desertaram para o Reino Unido e o Egito, e passaram a tecer duras críticas ao regime.

O chanceler líbio Moussa Koussa fugiu para Londres e o ex-chanceler que era apontado para ser o próximo embaixador da Líbia nas Nações Unidas, Ali Abdussalm Treki, está no Egito, de onde disse que é preciso interromper o "derramamento de sangue" em seu país.

Diplomata líbio na Liga Árabe, baseada no Cairo, Soufian Treki, um sobrinho do ex-chanceler, repassou à agência de notícias Reuters um comunicado enviado por Ali Abdussalm Treki.

"Não podemos deixar que o nosso país se dirija para um destino desconhecido. A nossa nação tem direito a viver em liberdade, democracia e boas condições de vida", afirmou no texto divulgado.

Treki disse ainda que sua renúncia baseia-se em sua rejeição ao "derramamento de sangue" promovido pelas tropas do governo.

Ibrahim Dabbashi, vice-embaixador da Líbia nas Nações Unidas, disse que a maioria dos políticos que integram o alto escalão do regime estão tentando desertar, mas sofrem com um rigoroso esquema de segurança que os impede de abandonar o país.

FIM DO REGIME

As deserções foram vistas nesta quinta-feira como um claro sinal da deterioração do regime, avaliaram os EUA, outras potências e os rebeldes, que veem na crescente pressão diplomática uma nova saída à crise. As tropas leais ao ditador, contudo, continuam avançando e forçando o recuo dos oposicionistas.

O Reino Unido, país para onde Moussa Koussa fugiu, e a Itália, também disseram que sua deserção mostra que o isolamento ao regime pode ser uma maneira eficiente de desestruturar Qathafi.

No mesmo dia em que a Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte) assumiu o comando completo das operações militares na Líbia, os responsáveis pelo Pentágono e o "número dois" do Departamento de Estado dos EUA defenderam perante o Congresso americano a intervenção americana.

O governo de Barack Obama se mostra satisfeito com os resultados conseguidos, embora com algumas ressalvas.

O subsecretário de Estado, James Steinberg, considerou perante o Comitê de Relações Exteriores da Câmara dos Representantes que a deserção do chanceler líbio, Moussa Koussa, representa "uma indicação" de que as medidas de pressão impostas sobre o regime de Qathafi "podem ter sucesso".

Quando "alguém que esteve durante tanto tempo com Qathafi abandona, é um forte sinal de que já não há mais futuro", sustentou.

Em território líbio, os rebeldes sentiram-se estimulados pela deserção e pelas revelações de que os EUA estariam fornecendo apoio secreto às suas tentativas de contra-ataque ao regime.

"Estamos começando a ver o regime de Qathafi se desintegrar", disse o porta-voz rebelde Mustafa Gheriani na cidade de Benghazi, no leste do país.

O principal oficial militar dos EUA, no entanto, disse ao Congresso que Qathafi está longe de ser derrotado. "Nós de fato degradamos seriamente as capacidades militares dele", disse o almirante Mike Mullen. "Isso não significa que ele esteja prestes a sofrer um colapso do ponto de vista militar."

TREINAMENTO A REBELDES

O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Robert Gates, reconheceu nesta quinta-feira que os rebeldes líbios têm pouco conhecimento, além de treinamento e organização limitados.

Ele rejeitou, contudo, a idéia dos EUA treinarem os rebeldes e disse que outros países podem fazê-lo, em clara referência às informações vazadas ontem (30) pelo jornal "The New York Times" e a agência de notícias Reuters, de que o presidente Barack Obama teria enviado agentes da CIA à Líbia para ajudar os oposicionistas.

"Em termos de providenciar assistência a eles, francamente, há muitos países que podem fazer isso", disse Gates, em audiência no Congresso americano. "Esta não é uma capacidade única do governo americano. E, no meu ponto de vista, outro país deveria fazer isso", completou.

PROBLEMAS DE SAÚDE

Comentando a deserção de Koussa pela primeira vez, o regime de Gaddafi afirmou nesta quinta-feira que o chanceler obteve permissão de saída do país em direção à Tunísia para receber tratamento de saúde.

"Ele recebeu permissão por motivo de doença e, quando chegou à Tunísia, perdemos contato com ele. Entendemos que ele tenha renunciado a seu posto, mas se trata de uma decisão pessoal", afirmou o porta-voz Moussa Ibrahim em entrevista coletiva realizada em Trípoli.

Ibrahim disse ainda que Koussa tinha comunicado que "estava exausto, que tinha diabetes e alta pressão, e lhe deram permissão para sair do país" para ser atendido na Tunísia.

"Não fomos notificados por ele sobre sua renúncia, mas entendemos que é pessoal, e não temos comentários", ressaltou.

A fonte oficial insistiu nos "graves problemas de saúde" que tinha Koussa e expressou esperança de que ele se recupere em breve "física e mentalmente".

"Lhe desejamos o bem. Quando decidir retornar, será mais que bem-vindo", acrescentou o porta-voz.

Ele afirmou ainda que "a luta pela liberdade" na Líbia "não depende de uma só pessoa" e insistiu que, apesar do longo tempo que Koussa estava no governo de Muammar Al Qathafi o líder "segue rodeado de muito mais gente".