Os rebeldes líbios recusaram nesta segunda-feira (11) o plano de paz proposta pela União Africana porque não contempla sua exigência pela saída de Muammar Al Qathafi e propõe a reforma de um sistema de governo que eles exigem que seja abolido.
O chefe do conselho dos rebeldes, Mustafa Abdel Jalil, em entrevista coletiva em Benghazi (reduto da oposição), disse que o conselho exige a saída de Qathafi desde o primeiro dia dos protestos.
- A iniciativa da União Africana não inclui a partida de Qathafi e de seus filhos do cenário político líbio, então está desatualizado.
O porta-voz do conselho Hafiz Ghoga também disse na entrevista coletiva que a iniciativa "fala de reformas do sistema líbio e isso está rejeitado".
Segundo a BBC, a delegação da União Africana foi recebida com protestos pela população em Benghazi.
Otan desconfia de possível cessar-fogoA Otan (aliança militar do Ocidente) também exigiu nesta segunda que o cessar-fogo que se negocia na Líbia seja "crível", "verificável" e traga reformas políticas que respondam às reivindicações da população, por isso que afirmou que, por enquanto, não deterá suas operações militares.
Mesmo com a negociação da União Africana, o secretário-geral do organismo, Anders Fogh Rasmussen, deixou claro em Bruxelas que a Otan não confia no líder líbio.
- Já vimos vários anúncios de cessar-fogo que não foram respeitados.
Rasmussen não disse explicitamente se o cessar-fogo deve vir acompanhado da renúncia de Qathafi, como reivindicam os rebeldes, mas ressaltou que o ditador está mantendo uma atitude "totalmente irresponsável".
Coalizão intensifica ataques no fim de semana
No fim de semana, os aviões da Otan intensificaram suas operações contra as forças pró-Qathafi, especialmente ao redor das cidades de Misrata e Ajdabiya, controladas pelos rebeldes e duramente atacadas pelo regime.
Rasmussen informou que desde a manhã deste sábado (9), os aviões da Otan fizeram quase 300 saídas, destruiram 49 tanques, nove veículos blindados, três baterias antiaéreas e quatro depósitos de munição.
O secretário-geral ressaltou que "não pode haver uma solução puramente militar" à crise líbia e manifestou seu apoio aos esforços internacionais a favor de uma saída negociada.