O presidente de Cuba, Raúl Castro, propôs ontem (16) limitar a "dois períodos de cinco anos" o desempenho dos principais cargos no poder, durante a abertura do VI Congresso do Partido Comunista. "Chegamos à conclusão de que é recomendado limitar ao máximo de dois períodos consecutivos de cinco anos o desempenho de cargos políticos e estatais fundamentais, isso é possível e necessário nas atuais circunstâncias", afirmou Raúl Castro perante os mil delegados do Congresso.
O governante, a quem seu irmão Fidel cedeu o poder em julho de 2006, quando ficou doente, fez a proposta em um duro discurso de autocrítica sobre a direção da ilha comunista, governada durante 52 anos pelos irmãos Castro. "Embora não tenhamos deixado de fazer várias tentativas para promover jovens a cargos principais, a vida demonstrou que as seleções não foram sempre as mais adequadas", disse o presidente, que completará 80 anos em junho.
"Hoje enfrentamos as consequências de não contar com uma reserva de substitutos devidamente preparados, com experiência suficiente, maturidade, para assumir as novas e complexas tarefas de direção no partido, no Estado e no governo", disse.
Raúl Castro advertiu sobre a necessidade de garantir "o rejuvenescimento sistemático de toda a rede de cargos administrativos e do partido", desde a base até as posições de grande responsabilidade, incluindo a de presidente e de primeiro-secretário do PCC. A geração histórica, liderada pelos irmãos e que ocupa os principais cargos fundamentais, tem mais de 75 anos.
Congresso
O VI Congresso do Partido Comunista de Cuba foi inaugurado em Havana com a presença de mil delegados liderados pelo presidente Raúl Castro, e com a ausência de Fidel Castro e prossegue até terça-feira (19)