Tunísia e Egito - onde revoltas populares neste ano levaram à queda de Ben Ali e Mubarak respectivamente - estão em contato com a Justiça suíça para pleitear a devolução do dinheiro e dos imóveis. Mas não há discussões nesse sentido com a Líbia, onde Qathafi resiste a uma rebelião apoiada pela Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).
A Suíça havia anteriormente solicitado a suas instituições, principalmente financeiras, que fizessem um levantamento do patrimônio sob suspeita de ligação com os três ditadores. Os valores encontrados são bastante estáveis, segundo Knuchel, que não quis informar em quais bancos as contas foram encontradas. "Nunca especificamos as instituições. Não se trata só de dinheiro, há patrimônio imobiliário", explicou Knuchel, sem detalhar a localização dos imóveis.
Entre bancos e crimes - A chancelaria da Líbia havia negado que Qathafi tivesse contas em bancos da Suíça ou de qualquer outro país estrangeiro. As relações entre a Suíça e a Líbia estão abaladas desde julho de 2008, quando a polícia de Genebra prendeu um filho de Qathafi, Hannibal, sob a acusação de cometer abusos contra duas empregadas domésticas. As acusações foram posteriormente arquivadas, graças a um acordo confidencial com as vítimas. Na época, a Líbia retirou mais de 5 bilhões de dólares (quase 8 bilhões de reais) dos bancos suíços, suspendeu as exportações de petróleo para lá e proibiu que dois executivos deixassem o país.
A Suíça vem se empenhando nos últimos anos para se livrar da imagem de que seria um paraíso da lavagem de dinheiro. Em janeiro, o país congelou os bens do presidente da Costa do Marfim, Laurent Gbagbo, que seria deposto meses depois. Os ex-governantes Ferdinand Marcos, das Filipinas, e Sani Abacha, da Nigéria, também já sofreram sanções similares. No caso de Abacha, a Suíça devolveu 800 milhões de dólares (1,2 bilhão de reais) à Nigéria, em um trâmite que levou quase cinco anos, segundo Knuchel. Também na segunda-feira, o ministério suíço das Finanças anunciou o início de procedimentos para devolver ao Haiti o patrimônio do ex-presidente Jean-Claude Duvalier, que está congelado desde 1986.