Na carta, Kian relata torturas, como ter as pernas queimadas com ponta de cigarro aceso, golpes nos pés e testículos e no rosto. O advogado disse ter perdido 12 dentes. O advogado foi preso em outubro do ano passado, assim como Saijad Ghaderzadeh, um dos filhos de Sakineh, e dois repórteres alemães do jornal Bild am Sonntag.
O filho da iraniana e os dois repórteres acabaram sendo soltos. Mas Kian permaneceu preso. Organizações não governamentais fazem campanha pela libertação do advogado e por um novo julgamento para Sakineh.
Kian enfrenta também a acusação de espionagem, que está sendo analisada pela promotoria.
Ele é o terceiro advogado a representar Sakineh. A viúva foi condenada à morte sob a acusação de adultério e cumplicidade na morte do marido. O assunto virou tema internacional e também no Brasil.
No ano passado, o então presidente Luiz Inácio Lula da Silva manifestou ao presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, a disponibilidade de receber Sakineh no Brasil. Mas a oferta não foi considerada pelos iranianos.
A situação de Sakineh permanece incerta. Ativistas de direitos humanos no Irã disseram que ela tentou o suicídio cortando seus pulsos com cacos de vidro, mas que ela sobreviveu. A iraniana já cumpriu cinco anos de prisão.