Integrantes da associação Avós da Praça de Maio assistiram hoje (23) na sede da ONU de Genebra a apresentação da candidatura da entidade ao Prêmio Nobel da Paz, lançada por uma ONG para reconhecer a luta delas para encontrar os filhos assassinados durante a ditadura argentina.
Na emocionante cerimônia estava presente a presidente das "Avós", Estela de Carlotto, assim como uma das netas resgatadas das mãos da família do militar que a roubou após assassinar seus pais, Victoria Montenegro.
Estela afirmou que, embora o Nobel seria uma "grande alegria", o melhor prêmio são cada um dos 103 netos já encontrados, mas lembrou que ainda falta localizar outros 400 netos.
"A tarefa é difícil e com toda certeza, quando todos forem localizados, nós já não estaremos aqui para vê-lo, mas deixaremos o testemunho aos nossos outros filhos e netos porque isto é uma luta coletiva", afirmou.
Para ajudar no trabalho, as avós criaram o Banco Nacional de Dados Genéticos, onde estão armazenadas as amostras de sangue de todas as avós de crianças desaparecidas, para permitir a investigação dos casos que surgirem no futuro, inclusive após a morte delas.
Apesar das trágicas histórias que estão por trás das Avós da Praça de Maio, também há espaço para a esperança, como se reflete no caso de Victoria Montenegro, uma das netas encontradas que resgatou sua identidade e conheceu a verdade sobre o que aconteceu com seus pais biológicos.