A epidemia foi uma das mais letais dos últimos tempos, disse o relatório, e atingiu um país que lutava para se recuperar do terremoto de janeiro de 2010. O tremor deixou mais de 300 mil mortos e destruiu a capital Porto Príncipe.
Os casos de cólera surgiram inicialmente em outubro na região do rio Artibonite, no centro do Haiti, e muitos haitianos disseram que a doença foi transmitida pelos soldados do Nepal, país onde a cólera é endêmica.
Essa alegação foi motivo de revoltas contra a ONU no ano passado no empobrecido país caribenho, e gerou graves problemas políticos para as autoridades da ONU. Uma missão de paz liderada por tropas brasileira já estava no país, que recebeu ajuda humanitária após o terremoto.
"Nossas descobertas apresentam fortes indícios de que a contaminação do (rio) Artibonite e de um de seus afluentes localizado correnteza abaixo de um acampamento militar desencadeou a epidemia," disse o relatório da unidade de Doenças Infecciosas Emergentes do CDC, sediado em Atlanta.
"Houve uma correlação exata de tempo e lugar entre a chegada do batalhão nepalês de uma área onde houve um surto de cólera e a aparição dos primeiros casos da doença em Meille alguns dias depois", disse o relatório divulgado na terça-feira.
Segundo o documento, provas de DNA sugerem que a doença foi introduzida a partir de uma fonte distante, em um único incidente.
Em um comentário separado, também publicado pelo CDC, os cientistas Scott Dowell e Christopher Braden disseram que o relatório fornecia "evidências circunstanciais de que a contaminação fecal de um riacho que deságua no rio Artibonite iniciou a epidemia."
Mas uma comissão de quatro membros criada pela ONU, nomeada pelo secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, em janeiro, evitou atribuir culpa ou responsabilidade direta aos soldados da ONU, citando "uma confluência de circunstâncias" por trás da epidemia.