O Departamento de Pesquisas e Análises para a Segurança da Aviação Civil (BEA, na sigla em francês) emitiu dez novas recomendações de segurança para que acidentes desse tipo não se repitam, o que inclui um maior treinamento para o comando manual das aeronaves - capacidade que, segundo críticos, os pilotos vêm perdendo devido ao predomínio dos computadores.
O relatório do BEA sobre os minutos finais do voo AF 447 revela que os pilotos deixaram de discutir o alerta de "stall" (perda de sustentação) que fez o Airbus despencar de uma altura de 38 mil pés, chocando-se contra o mar a 200 quilômetros por hora e matando os 228 ocupantes do avião, em meados de 2009.
O inquérito mostra também que os passageiros não receberam nenhum aviso sobre as manobras dos pilotos para tentar evitar a queda.
As informações, com base nas recém-descobertas caixas-pretas do avião, confirmam a descoberta feita em maio, de que a tripulação reagiu ao alerta de "stall" fazendo algo que intrigou os especialistas: apontando o nariz do avião para cima, ao invés de para baixo.
"Parece óbvio que a tripulação não reconheceu a situação em que estava, por qualquer razão, e que mais treinamento teria ajudado", disse Paul Hayes, diretor de segurança da consultoria britânica Ascend Aviation.
O "stall" aerodinâmico - que não deve ser confundido com uma pane dos motores - é uma situação perigosa, que ocorre quando as asas são incapazes de suportar o peso do avião. A forma clássica de reagir a isso é apontando o nariz do avião para baixo, para capturar o ar num ângulo melhor.