O pedido de volta às negociações foi feito na sexta-feira (23) depois do discurso do presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas.
A chefe da diplomacia da União Europeia, Catherine Ashton, disse que o enviado especial do quarteto à região, o ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair, vai trabalhar para colocar as duas partes na mesa de negociações.
Em entrevista à BBC, Blair disse que o quarteto compreende perfeitamente que “os palestinos têm o direito de ir à ONU e apresentar seu pedido".
"O que quer que aconteça na ONU não vai funcionar se não houver negociações”, disse Blair. Ele espera que os dois lados voltem a negociar “em um mês, definindo um cronograma para o esboço de um acordo no período de um ano", informou.
Os palestinos pedem a delimitação de seu Estado a partir das fronteiras de 1967, que incluem a Cisjordânia, a Faixa de Gaza e Jerusalém Oriental – territórios ocupados por Israel, que rechaça veementemente a decisão palestina.
Na sexta-feira, Abbas disse no plenário da ONU que "chegou a hora" de seu povo "ganhar liberdade".
"Em um momento em que o povo árabe afirma sua luta pela democracia na chamada Primavera Árabe, chegou a hora também da primavera palestina, a hora para a independência", declarou Abbas.
Logo depois, ele entregou formalmente ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, o pedido para adesão palestina como membro pleno das Nações Unidas.
Abbas disse que o reconhecimento internacional de um Estado palestino “seria a maior contribuição para a paz” no Oriente Médio.
Logo após o discurso de Abbas, o primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu subiu a tribuna da ONU para rejeitar a proposta palestina.
Netanyahu disse que os palestinos primeiro precisam entrar em paz com Israel para só depois pedir o reconhecimento de seu Estado.
“A paz precisa estar ancorada na segurança e não pode ser alcançada por meio de resoluções da ONU, somente por meio de negociações diretas”, disse o premiê israelense, que ofereceu sua "mão" para todos no Oriente Médio, mas "especialmente aos palestinos".
Ele convidou ainda Abbas para negociações sobre a paz imediatamente, que começassem ainda na sexta-feira.
"Agora que estamos na mesma cidade, no mesmo prédio, vamos nos encontrar hoje [sexta-feira], aqui na ONU. Ninguém nem nada vai nos impedir se isso for realmente nosso objetivo. Vamos falar abertamente e, se Deus quiser, encontrar um caminho comum para a paz", disse.