A medida, que confirma uma decisão prévia do presidente Evo Morales, foi aprovada pela ampla maioria governista três dias antes da realização de uma eleição que está sendo considerada como um plebiscito sobre a gestão dele.
Embora a lei reconheça quase totalmente uma proposta dos manifestantes indígenas, incluindo uma consulta a todos os moradores sobre qualquer obra de desenvolvimento no parque situado no centro do país, conhecido pela sigla Tipnis, os líderes do protesto anunciaram que continuarão sua caminhada rumo a La Paz.
A marcha de ao menos uma centena de indígenas, acompanhada por cerca de mil ambientalistas e políticos da oposição, deve chegar a seu destino na semana que vem, aparentemente perdendo a oportunidade de exercer o impacto negativo decisivo nas eleições, previsto por vários analistas.
"Esta lei é produto de uma ação do Legislativo, que formou uma comissão com senadores e deputados, com deputados indígenas, que tiveram contato com os manifestantes e conseguiram pontos básicos de consenso", disse o presidente do Senado, René Martínez, depois da sanção.
O projeto já havia sido aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados.
A senadora governista Gabriela Montaño explicou que a consulta aos indígenas sobre a rodovia que deverá atravessar o Tipnis ocorrerá "segundo as normas e procedimentos próprios dos povos indígenas", por isso pode ser aplicada de imediato, sem regulamentação.
Os participantes da marcha do Tipnis, porém, iniciaram seu protesto com a demanda de serem consultados sobre o projeto. Eles disseram que pretendem dialogar em La Paz diretamente com Morales, embora o presidente tenha ignorado o conflito na quarta-feira em um discurso durante um grande comício governista.