Há a convicção generalizada de que Berlusconi perdeu a maioria parlamentar, mas ele não reconhece isso. "Temos uma maioria que eu continuo acreditando que seja sólida e vamos continuar governando", disse ele a jornalistas durante a cúpula do G20 na França.
O bilionário político, de 75 anos, qualifica de traidores os deputados do seu partido, o PDL, que romperam com a coalizão, mas diz que vai conversar para atraí-los de volta.
Refletindo a incerteza, o ágio pago sobre os títulos italianos com vencimento em dez anos chegou nesta sexta-feira a 6,43 por cento, maior valor na era do euro, e próximo dos níveis que levaram aos resgates financeiros para a Irlanda e Portugal.
O presidente italiano, Giorgio Napolitano, se juntou às vozes que, com alarme, pedem um consenso entre os políticos para a aprovação de reformas econômicas. Segundo ele, a Itália está sofrendo uma grave crise de confiança internacional.
Durante a cúpula do G20, Berlusconi aceitou que o Fundo Monetário Internacional monitorasse as reformas na Itália, mas rejeitou verbas do fundo. Tudo isso, no entanto, pode em breve se tornar irrelevante, caso o primeiro-ministro não consiga sobreviver politicamente à rebelião.
A crise foi exposta na reunião de Cannes, onde o ministro da Economia, Giulio Tremonti, com quem há muito tempo Berlusconi tem relações gélidas, se recusou a revelar sua opinião sobre a conveniência de o premiê permanecer no cargo.