Netzai Sandoval, advogado mexicano especializado em direitos humanos, entrou com uma ação no TPI em Haia na sexta-feira, solicitando uma investigação sobre a morte de centenas de civis sob as mãos dos militares e dos traficantes de drogas no México, onde mais de 45 mil pessoas morreram em decorrência da violência associada às drogas desde 2006.
"A violência no México é maior do que a no Afeganistão e na Colômbia", afirmou Sandoval.
"Queremos que o procurador nos diga se foram cometidos crimes de guerra e crimes contra a humanidade no México, e se o presidente e outras autoridades são responsáveis."
Assinada por 23 mil cidadãos mexicanos, a petição cita o chefão do cartel de drogas Sinaloa, Joaquin "El Chapo" Guzman, cujo prêmio por sua cabeça é de 5 milhões de dólares, o ministro da Segurança Pública Genaro Garcia Luna e os comandantes do Exército e da Marinha do México.
Os advogados pediram que o TPI, a primeira corte mundial para crimes de guerra, abra uma investigação formal sobre crimes de guerra e crimes contra a humanidade no México.
Uma decisão dos promotores do TPI de abrir ou não um inquérito pode levar meses ou até anos, afirmam especialistas em direito. O TPI já investigou crimes como genocídio, homicídio, alistamento de crianças para atuarem como soldados e estupro -- em sua maioria, na África.
O governo mexicano negou as acusações e disse que o policiamento não pode constituir um crime internacional.
"Em nosso país, a sociedade não é vítima de um governo autoritário ou de abusos sistemático pelas forças armadas", disse o Ministério das Relações Exteriores em um comunicado em outubro, quando a petição se tornou pública.
"No México, há o Estado de direito no qual o crime e a impunidade são combatidos sem exceção", afirmou o comunicado.