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Conselho do Vaticano pede acesso irrestrito para terapias anti-aids

01 de dezembro 2011 - 20h18 Por Redação Douranews
Conselho do Vaticano pede acesso irrestrito para terapias anti-aids

Além de voltar a defender a abstinência e a fidelidade conjugal como métodos para evitar o contágio da Aids, o Vaticano emitiu mensagem pedindo acesso de “todas as camadas da sociedade” às terapias contra a doença. O Conselho Pontifício para a Saúde reconhece que muitas vítimas morreram por não terem acesso a um tratamento adequado, como a terapia antiretroviral, por exemplo.

O comunicado foi assinado pelo arcebispo Zygmunt Zimowski, presidente do conselho e pede ainda para que seja promovida “a prevenção da transmissão de mãe para filho e a educação para estilos de vida que incluam uma abordagem correta e responsável da sexualidade".

"Este também é um momento privilegiado para relançar a luta contra o preconceito social", acrescentou.

Calcula-se que 1.800.000 pessoas tenham morrido a cada ano vítimas da Aids, principalmente na África, o continente mais castigado pela doença e onde vivem 22,9 dos 34 milhões de contaminados no mundo.

"Não se justifica mais a transmissão da infecção de mães para filhos", afirmou o representante do Vaticano.

Para a hieraquia da Igreja, "continua sendo fundamental a formação e a educação de todos e, em particular, das novas gerações, a uma sexualidade baseada em 'uma antropologia ancorada no direito natural e iluminada pela Palavra de Deus'", destacou o texto.

"A Igreja pede um estilo de vida que privilegie a abstinência, a fidelidade conjugal e o repúdio à promiscuidade sexual (...) para conseguir um desenvolvimento integral da pessoa", reiterou a nota.

A Igreja, mais do que condenar o uso do preservativo como método de prevenção, o que é rejeitado por organizações internacionais e humanitárias, exige "uma resposta médica e farmacêutica", ao mesmo tempo em que reconhece que se trata de um problema "antes de mais nada ético", segundo a "Exortação Apostólica" para a África assinada em novembro passado pelo papa Bento XVI.

O tema gerou discussão, sobretudo depois que em 2009, durante sua primeira viagem à África, o Papa rejeitou o uso do preservativo para lutar contra a Aids porque "agrava o problema", gerando uma chuva de reações negativas de vários países.

No ano passado, Bento XVI surpreendeu ao aceitar o uso de preservativos tanto por mulheres quanto por homens para evitar a propagação da Aids através da prostituição, em um livro entrevista apresentado oficialmente no Vaticano.

A abertura do Papa ao uso do preservativo "em certos casos", embora não questione sua proibição na doutrina da Igreja, foi um passo importante.