Cristina deu a entender que está pondo sua saúde a "serviço do país" e pediu aos funcionários que cooperem com o vice-presidente Amado Boudou, que assumirá a Presidência por 20 dias, a partir de 4 de janeiro - data da cirurgia -, num contexto em que sindicatos se queixam de salários e impostos enquanto os empresários estão preocupados com a perda de competitividade da economia do país.
"Quero em primeiro lugar agradecer a todas as demonstrações de solidariedade, de carinho e de afeto de todos os argentinos e também de presidentes amigos (...) Peço ajuda a todos, não para mim, mas para este país. Aos governadores, aos intendentes, para que todos nos esforcemos mais e melhor", disse Cristina, de 58 anos.
A notícia de que Cristina tem câncer na tiróide, sem metástase, foi divulgada na noite de terça-feira pelo porta-voz oficial, abalando o país e desencadeando um amplo movimento de apoio à presidente, a mais recente líder latino-americana com a doença.
O presidente venezuelano, Hugo Chávez, teve o diagnóstico este ano e o do Paraguai, Fernando Lugo, em 2010. A presidente Dilma Rousseff e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foram diagnosticados com a doença, mas em momentos em que não ocupavam o cargo.
TRANSFERÊNCIA DO PODER
O anúncio oficial sobre a enfermidade de Cristina ocorre poucos dias depois de ela assumir o segundo mandato consecutivo - em 10 de dezembro -, após vitória esmagadora na eleição de outubro, e pouco mais de um ano depois da morte de seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, falecido em outubro de 2010.