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Paraplégico viaja França de muletas para alertar sobre lesões na medula

03 de fevereiro 2012 - 12h25 Por Redação Douranews, com G1
Paraplégico viaja França de muletas para alertar sobre lesões na medula

Paraplégico há 30 anos, Joe Kals está percorrendo a França a pé, apoiado em muletas e utilizando somente a força dos braços e do abdômen, para tentar mobilizar a sociedade a encontrar uma solução médica para lesões na medula espinhal.

No último domingo, ele atingiu a marca de mil quilômetros. No total ele irá percorrer 1.320 quilômetros, entre Havre, no noroeste da França, e Menton, no sul do país, próximo a Mônaco, onde reside.

Kals ficou totalmente paralisado da cintura para baixo após sofrer um acidente de moto em 1982.

Para realizar a 'caminhada' pelas estradas francesas, ele usa talas que deixam suas pernas rígidas. Apoiado em muletas, ele 'dá passos' balançando suas pernas para frente, como um pêndulo.

Em entrevista à BBC Brasil, ele contou ter se preparado durante cinco anos para realizar essa maratona. Graves problemas médicos e uma cirurgia em 2010 atrasaram os preparativos físicos, retomados no final daquele ano.

O francês deixou a cidade de Havre em agosto de 2011 e espera chegar a Menton entre o final de fevereiro e meados de março próximo.

Mobilização
Kals caminha em média dez quilômetros por dia durante quatro dias e depois passa um dia descansando.

'Quero sensibilizar as pessoas em relação a um problema que é mundial. Não quero provar nada a ninguém com essa caminhada. Desejo apenas que haja uma tomada de consciência e uma mobilização para encontrar uma solução para as lesões na medula espinhal', disse.

Ele diz que o fato de ser paraplégico ou tetraplégico é considerado por muitos uma fatalidade, mas ele contesta essa visão.

'Quando sofri meu acidente em 1982 e fiquei paraplégico, os médicos me diziam que a soluções para a lesão na medula estavam muitas próximas de ser obtidas. Mas 30 anos depois, continuam dizendo a mesma coisa.'

'Quero criar um movimento para que as coisas avancem em relação a isso. Gostaria que no futuro, o mais próximo possível, as pessoas não tenham mais sequelas de uma lesão medular e possam viver com dignidade', diz ele, acrescentando que a paraplegia causa sofrimento físico e também moral.