O próximo presidente da Bielorrússia já tem vasta experiência com as armadilhas do poder. Já assistiu a várias paradas militares e conheceu inúmeros líderes mundiais em viagens na companhia de seu pai, o atual presidente Alexander Lukashenko. Mas há algo de inusitado na indicação de Kolya Lukashenko como “líder nacional em formação”: ele tem apenas 7 anos de idade.
Alexander Lukashenko tem dois filhos adultos, mas está separado da esposa, que supostamente vive em uma propriedade na região rural país. Kolya [diminutivo de Nikolai] nasceu muito tempo depois. A identidade da mãe do menino nunca veio a público. O garoto foi visto pela primeira vez há quatro anos e, desde então, participa de quase todos os compromissos oficiais, inclusive dos realizados fora do país. Ele é visto posando com uma pistola dourada em paradas militares. Os generais do Exército são obrigados a saudá-lo.
Foi numa viagem à Venezuela, nesta semana, que o presidente Lukashenko fez o anúncio sobre sua potencial sucessão por Kolya. Ambos receberam efusivas boas-vindas do presidente Hugo Chávez.
“Você está correto ao destacar a presença de meu filho aqui. Isso mostra que lançamos as bases de uma sólida cooperação entre os dois países, e que, dentro de 20 a 25 anos, haverá alguém para tomar as rédeas desta cooperação” disse Lukashenko, enquanto Kolya se mantinha entre os dois líderes e recusava o convite de Chávez para fazer um discurso.
Alexander Lukashenko, conhecido como “o último ditador da Europa”, não é bem-vindo na maioria das capitais europeias. Ao longo dos anos, vem estreitando relações com países opostos à influência americana no mundo, como Venezuela, Síria e a Líbia da época de Muamar Kadafi. Ele também visitou Cuba e Equador, onde assinou acordos comerciais.
Lukashenko é o presidente da ex-república soviética desde 1994. Foi reeleito em 2010, numa votação em que a maioria dos observadores denunciou fraudes. Desde então, a polícia bielorrussa prendeu vários opositores ao regime. Um dos mais conhecidos, Andrei Sannikov, foi libertado recentemente. Lukashenko disse que seu país sofria de uma “nauseante fartura de democracia”.