Na principal decisão em duas décadas, a Igreja Anglicana do Reino Unido vetou nesta terça-feira (20) a indicação de mulheres para o cargo de bispo. A medida chegou a ser aprovada pelos representantes religiosos do Sínodo Geral - a assembleia - mas foi barrada pelos leigos, uma das três câmaras da Igreja. A proposta precisava de maioria de dois terços nas três Casas do Sínodo Geral. Na Câmara dos Bispos, foram 44 votos a favor, três contra e duas abstenções registradas. Na dos Clérigos, houve 148 votos pró e 45 contra.
A decisão desencadeou uma crise na Igreja britânica, segundo o jornal “Independent”. Tanto o atual acerbispo, Rowan Williams, como o seu sucessor, Justin Welby, são amplamente favoráveis à permissão de que as mulheres possam ser bispas. Welby foi escolhido como arcebispo de Canterbury no começo de novembro e, a partir de 21 de março, será a figura de união da Igreja e de liderança espiritual.
“Sei que preciso ouvir atentamente a comunidade LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) e examinar meu próprio pensamento de forma cuidadosa. Precisamos criar espaços seguros dentro da Igreja para a discussão honesta desses assuntos”, declarou Welby no discurso que concedeu após ser anunciado no cargo.
A estrutura descentralizada do anglicanismo tornou possível, por exemplo, a ordenação de bispas nos EUA, país onde pelo menos um homossexual assumido é bispo: Gene Robinson, no estado de New Hampshire, nomeado em 2003 e que deixará o cargo em janeiro. A Igreja Anglicana americana também já celebrou um casamento entre duas reverendas no fim de 2010, na cidade de Boston. No Brasil, não há posição sobre o casamento entre pessoas do mesmo sexo e a ordenação de homossexuais, mas a indicação de mulheres ao bispado, apesar de ainda não ter ocorrido, é permitida. Com informações do jornal O Globo