Na semana em que o presidente venezuelano Hugo Chávez perdeu a batalha contra o câncer e morreu, apenas um dos cinco hospitais com tratamento oncológico operava com normalidade. Em três, incluindo um infantil, os médicos se limitavam a redirecionar pacientes por falhas em equipamentos, e um trabalhava parcialmente.
Há uma década, a Venezuela vive sob um sistema de câmbio controlado pelo governo que, após um demorado e lento trâmite burocrático, outorga divisas para importação de bens ou turismo. Num país onde 80% dos alimentos e a maior parte dos bens consumidos são importados, esse sistema tem impacto diário no cotidiano do país.
O sistema foi implementado por Chávez em 2003, logo após ter sobrevivido a um golpe de Estado e a mais de dois meses de greve do setor petroleiro. O objetivo, no começo, era impedir a fuga de capitais. Embora no primeiro ano a medida tenha surtido efeito, um estudo do banco Barclays revelou que, a partir de 2004, o país perdeu anualmente, em média, US$ 20 bilhões.
O caminho para a obtenção de dólares é a Cadivi (Comissão de Administração e Divisas), que define diversos procedimentos, dependendo de quem solicita.
São frequentes as reclamações de empresários pedindo maior rapidez na entrega de dólares, cuja demora gera enormes distorções na economia do país. A Venezuela sofre há anos com desabastecimento e com dificuldades para importar desde leite a peças de reposição de equipamentos médicos, como os usados em hospitais de câncer.
Mais dúvidas
Numa tentativa de resolver o problema, o presidente interino e candidato governista na eleição de amanhã (14), Nicolás Maduro, ativou recentemente o Sicad (Sistema Complementar de Administração de Divisas), que prometia facilitar a compra de moeda estrangeira aos empresários. No entanto, até agora a medida gerou mais dúvidas dos que soluções.
A dificuldade ao acesso de divisas impulsou um mercado paralelo no qual um dólar, oficialmente vendido a 6,3 bólivares fortes, vale, atualmente, 22 bolívares. A diferença é um dos principais componentes da inflação, que no ano passado chegou a 20,1%. Com informações do G1