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Comitê da ONU cobra mais transparência de Vaticano sobre abusos

16 de janeiro 2014 - 20h30 Por Redação Douranews
Comitê da ONU cobra mais transparência de Vaticano sobre abusos

Especialistas em proteção infantil da ONU questionaram representantes do Vaticano, nesta quinta-feira (16), sobre a forma como as autoridades da Igreja Católica lidaram com décadas de abuso sexual de menores por padres, fato que o papa Francisco chamou de "vergonha da Igreja".

As autoridades, cobradas pela primeira vez desde que a Santa Sé assinou um tratado sobre direitos da criança da ONU em 1990, afirmaram que a Igreja reconhecia o problema e havia estabelecido regras claras para proteger as crianças de abuso. No entanto, integrantes do Comitê das Nações Unidas sobre Direitos da Criança presentes na sessão em Genebra exigiram bem mais transparência da Igreja sobre o escândalo.

"A visão do comitê é que a melhor maneira de prevenir abusos é revelar os antigos, é abertura em vez de varrer as ofensas para debaixo do tapete", disse Kirsten Sandberg, presidente do comitê da Organização das Nações Unidas, à delegação do Vaticano. "Parece que até agora os seus procedimentos não foram muito transparentes", afirmou.

Barbara Blaine, presidente de uma rede de pessoas que foram abusadas por padres, uma organização que conta com 15 mil integrantes nos Estados Unidos e 4.000 em outros países, disse que a resposta do Vaticano não foi suficiente para as vítimas. "O que nós queremos ver é o Vaticano punindo bispos que acobertaram crimes sexuais e queremos que eles deem as informações que têm sobre esses crimes para a polícia", declarou.

O arcebispo Silvano Tomasi, líder da delegação do Vaticano, afirmou na sua fala de abertura que a Igreja havia estabelecido procedimentos claros para "ajudar a eliminar o abuso e colaborar com as autoridades na luta contra esse crime".

A especialista Sara de Jesus Oviedo Fierro contestou a declaração, dizendo que o Vaticano "não havia estabelecido nenhum mecanismo para investigar e processar os que cometeram abuso sexual". A reportagem está publicada no Terra