Buscar quarta-feira, 2 de setembro de 2026
(67) 99913-8196
Dourados
17°C
Mundo

ONU exige que Vaticano denuncie os pedófilos à polícia

05 de fevereiro 2014 - 13h45 Por Redação Douranews
ONU exige que Vaticano denuncie os pedófilos à polícia

A comissão de Direitos da Infância da ONU denunciou o Vaticano pela adoção de políticas que permitiram que sacerdotes estuprassem e molestassem dezenas de milhares de crianças, e exortou a Santa Sé a abrir seus arquivos sobre pedófilos e clérigos que esconderam seus crimes. Nas conclusões de um relatório devastador, publicado nesta quarta-feira, o comitê pediu à Santa Sé para “afastar de imediato de suas funções todos os autores conhecidos e suspeitos de abusos sexuais de crianças, assim como denunciá-los às autoridades competentes para que os investiguem e sejam processados”. O documento também criticou severamente a Igreja Católica por suas atitudes em relação à homossexualidade, à contracepção e ao aborto e pediu que suas políticas para garantir os direitos das crianças e o seu acesso aos cuidados de saúde sejam revistas.

Perguntado sobre o relatório, o porta-voz do Vaticano, padre Federico Lombardi, afirmou que a Santa Sé está enfrentando a pedofilia com transparência e que nos próximos dias anunciará a composição e as funções da comissão criada pelo Papa Francisco para evitar o abuso contra crianças. Sobre o cumprimento da Convenção internacional dos Direitos da Criança, Lombardi acrescentou que novas recomendações serão publicadas.

- Temos que responder a perguntas ou ataques. Muitas vezes, são representações muito ideológicas ou parciais das questões e precisamos explicar nossa posição. De nossa parte, pode ser uma resposta dessas recomendações porque é um longo processo da convenção e da relação entre o comitê e as respostas dos Estados - disse o porta-voz do Vaticano.

Acusações duras

Há 15 dias, o Vaticano já havia sido publicamente confrontado, pela primeira vez, a respeito de abusos sexuais de crianças por sacerdotes, em uma audiência da ONU em Genebra. Autoridades da Santa Sé ouviram perguntas duras e diretas - por exemplo, por que não liberam todas as informações que têm a respeito, e o que estão fazendo para prevenir abusos futuros. O arcebispo Silvano Tomasi, enviado do Vaticano às Nações Unidas, disse que tais crimes “jamais poderiam ser justificados”, que todas as crianças devem ser “invioláveis” e que “prevenir abusos é uma preocupação real e imediata”.

No informe divulgado nesta quarta-feira, a comissão acusa o Vaticano de violar a Convenção de Direitos da Criança e afirma que a Igreja Católica não fez ainda o suficiente para cumprir seu compromisso de acabar com a pedofilia.

- Até agora violaram a convenção, porque não fizeram tudo o que deveriam para acabar com o problema - disse Kirsten Sandberg, presidente da comissão.

O documento destaca ainda “sua profunda inquietude pelos abusos sexuais cometidos contra crianças por membros de igrejas que operam sob a autoridade da Santa Sé”.

“O comitê está muito preocupado com o fato de a Santa Sé não ter reconhecido a amplitude dos crimes cometidos, não ter tomado medidas apropriadas para afrontar os casos de pedofilia e para proteger as crianças, além de ter adotado políticas e práticas que permitiram a continuação dos abusos e da impunidade de seus autores”.

O informe critica particularmente a política de transferir de paróquia os sacerdotes pedófilos, prática que considera como uma tentativa de encobrir os crimes e evitar que eles sejam julgados pelas autoridades civis.

“A prática da mobilidade permitiu que muitos padres permaneçam em contato com as crianças e seguissem abusando deles, além de continuar expondo crianças de numerosos países a um alto risco de sofrer abusos sexuais”, destaca o documento.

O órgão pediu uma investigação interna de casos semelhantes, para que os responsáveis possam ser processados e para que uma “compensação total” possa ser paga às vítimas e às suas famílias. Em dezembro, o Papa Francisco criou uma comissão interna que deveria investigar todos os casos de abuso sexual infantil, além da conduta da hierarquia católica ao lidar com eles.