Cerca de 17 mil presos islamistas começaram nesta quarta-feira (30) uma greve de fome para protestar contra a superlotação nas prisões egípcias e as "repetidas torturas brutais" a quais presos ligados à Irmandade Muçulmana têm sido submetidos desde a queda do presidente Mohammed Mursi.
"Os maus-tratos a que são submetidos os prisioneiros são um exemplo da política sistemática de brutalidade aplicada pelo governo militar para dominar o povo egípcio", afirmou a coalizão que reúne a Irmandade Muçulmana e grupos semelhantes, durante o anúncio da greve de fome. De acordo com a coalizão, vários prisioneiros permanecem atrás das grades num estado de "detenção infinita, amontoados em celas sem ventilação que abrigam dez vezes mais presos que sua capacidade original, sem direito a visitas de advogados ou familiares". O grupo denuncia ainda a existência de prisões secretas que se transformaram em centros de tortura e execução de prisioneiros políticos.
O Ministério do Interior continua a negar as alegações de tortura nas prisões. Desde o golpe, a repressão à Irmandade Muçulmana já deixou mais de 3 mil mortos e 21 mil presos. Na segunda-feira (28), 720 pessoas ligadas à organização foram condenados à morte no país. O início da greve de fome coincide com o 100º dia de vigília por Abdullah Shami, um jornalista da rede Al-Jazeera preso sem qualquer acusação formal desde agosto. Com informações do jornal O Globo