Milhares de turistas se preparavam neste sábado (27) para deixar a Tunísia, um dia após um sangrento atentado reivindicado pelo grupo jihadista Estado Islâmico (EI) contra um hotel que deixou 38 mortos, em sua maioria britânicos.
Até o momento não havia vítimas francesas, segundo o ministro francês das Relações Exteriores, Laurent Fabius. O primeiro-ministro britânico, David Cameron, disse que seu país precisa "se preparar para o fato de existirem muitos britânicos entre as vítimas do selvagem ataque".
Depois do atentado, cometido por um estudante tunisiano e condenado em todo o mundo, o primeiro-ministro da Tunísia, Habib Essid, afirmou que 80 mesquitas acusadas de incitar o terrorismo serão fechadas, e anunciou que irá recorrer aos reservistas do exército para reforçar a segurança nos locais sensíveis.
O suposto autor do atentado, o pior na história recente do país, havia escondido sua arma em um guarda-sol, fingindo ser mais um turista.
O criminoso disparou contra as pessoas que estavam na praia e depois entrou no hotel Riu Imperial Marhaba de Port el Kantoui (perto de Sousse, 140 km ao sul de Túnis) para matar as pessoas que pegavam sol ou aproveitavam a piscina.
Este ataque coincidiu com uma onda de atentados registrados no mesmo dia no Kuwait, onde ao menos 27 pessoas morreram em um atentado também reivindicado pelo EI, e na França, onde uma pessoa foi decapitada. Estas ações ocorreram três dias antes do primeiro aniversário do califado proclamado pelo EI nos territórios que conquistou na Síria e no Iraque.
'Temos medo'
Este massacre representa outro golpe ao essencial setor do turismo na Tunísia, três meses após outro ataque contra o museu do Bardo na capital (22 mortos, 21 deles turistas).
Centenas de turistas estrangeiros se reuniam no aeroporto de Enfidha - entre a capital e Sousse - na madrugada deste sábado para deixar o país. O fluxo de partidas prosseguia na manhã deste sábado, constatou a AFP.
A maioria dos voos que apareciam nas telas do aeroporto eram com destino a Londres, Manchester, Amsterdã, Bruxelas e São Petersburgo.