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ONU levará ajuda humanitária em cidades sitiadas na Síria

07 de janeiro 2016 - 20h15 Por Do G1/Douranews
ONU levará ajuda humanitária em cidades sitiadas na Síria Crianças sírias participam de manifestação pelo fim do cerco — Jamal Saidi

O governo da Síria concedeu nesta quinta-feira (7) permissão para as Nações Unidas entregarem ajuda humanitária a três localidades que se encontram sitiadas, incluindo a cidade de Madaya, perto de Damasco.

"A ONU comemorou hoje a autorização do governo da Síria para ter acesso à Madaya, Fua e Kafraya", afirma o organismo em um comunicado. "E se prepara para entregar ajuda humanitária nos próximos dias", afirmou ainda.

Na cidade de Madaya, sitiada pelo regime sírio, apesar da trégua concluída há mais de três meses, os habitantes já não se lembram do gosto do pão e precisam desesperadamente de ajuda.

Cerca de 40 mil pessoas, principalmente civis, estão bloqueadas nesta localidade próxima à fronteira libanesa. Boa parte delas são deslocadas do reduto rebelde de Zabadani, também sitiado pelas forças pró-governamentais.

Segundo o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH), ao menos 10 pessoas morreram pela falta de medicamentos e de comida. Outras treze pela explosão de minas colocadas pelas forças do regime ou por francoatiradores quando tentavam sair da cidade em busca de comida, afirma esta ONG.

O OSDH afirma que as forças pró-governamentais seguiram colocando minas e cercas ao redor de Madaya após o acordo concluído em setembro.

Situação terrível
Com a assinatura em setembro de um acordo para permitir a entrada de ajuda e a evacuação dos civis e feridos, acreditava-se que as condições iriam melhorar. O pacto incluía Zabadini e dois povoados do noroeste da Síria cercados pelos insurgentes.

Mas Madaya só recebeu ajuda uma vez em três meses. E a situação é terrível, contam os habitantes, os ativistas e as agências humanitárias.

"Não há nada para comer. Estou dois dias à base d'água", declarou por telefone à AFP Momina, uma mulher de 32 anos. "Só queremos que nos digam se a ajuda vai chegar ou não, porque aqui não há nada", acrescentou.

"A vida se tornou trágica. Como chegam poucas coisas, os alimentos são muito caros", afirma Mohamad, outro habitante. "Uma caixa de leite pode custar US$ 100, um quilo de arroz US$ 150", afirma. Por isso "esquecemos o sabor do pão".

Um carro em troca de arroz
"Muitos habitantes comem plantas para sobreviver ou precisam pagar quantias elevadas nos postos governamentais para obter comida", explica Rami Abdel Rahman, diretor do OSDH.

"Um morador inclusive colocou à venda seu carro pelo preço de 10 quilos de arroz. Não conseguiu vendê-lo e um familiar seu morreu por falta de comida", continua.

Segundo o OSDH, cerca de 1.200 habitantes sofrem de doenças crônicas e mais de 300 crianças de desnutrição ou outros problemas de saúde.

Sem leite para os bebês
Em Madaya falta tudo, resume Pawel Krzysiek, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV), que entrou na localidade em outubro. "As pessoas estão há muito tempo sem alimentos básicos, sem medicamentos básicos, sem eletricidade nem água (...) Vi a fome em seus olhos".

"Suplicavam por leite para bebês" quando o comboio de ajuda chegou, acrescenta. "Diziam que as mães não produzem mais leite (...) Não há maneira de alimentar os recém-nascidos e os bebês".