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Carlos, 'o Chacal', é julgado por atentado cometido há 43 anos na França

13 de março 2017 - 14h50 Por G1
Carlos, 'o Chacal', é julgado por atentado cometido há 43 anos na França Ilich Ramirez Sanchez, chamado de Carlos, ‘O Chacal’, ao lado de sua advogada e mulher, Isabelle Coutant-Peyre — Eric Feferberg / AFP

O julgamento do venezuelano Ilich Ramírez Sánchez, conhecido como Carlos, acusado de ter executado um atentado em Paris em 1974, que deixou dois mortos e dezenas de feridos, começou nesta segunda-feira (13) na capital francesa, segundo a agência France Presse.

Carlos, 67 anos, também conhecido como "O Chacal", será julgado durante 15 dias por um tribunal criminal especial para "atos de terrorismo", formado exclusivamente por magistrados profissionais.

Ele responde pelo atentado de 15 de setembro de 1974, quando duas pessoas morreram e 34 ficaram feridas na explosão de uma granada lançada no interior da loja Drugstore Publicis, no centro de Paris.

Em entrevista no final de 1979 para a revista Al-Watan Al-Arabi, Carlos reconheceu ter lançado a granada contra a loja situada no Boulevard Saint-Germain. Mas depois, o venezuelano, que cometeu vários atentados em nome da causa palestina, negou ter concedido a entrevista.

Carlos está preso na França desde sua detenção no Sudão pela polícia francesa em 1994. Ele já foi condenado duas vezes à prisão perpétua pelo assassinato de três homens - entre eles dois policiais em 1975 em Paris - e por quatro atentados com explosivos que deixaram 11 mortos e 150 feridos em 1982 e 1983, em Paris, Marselha e em dois trens. Nessa época ele atuava na Frente Popular para a Libertação da Palestina (FPLP), segundo na BBC.

Processado por "assassinato e tentativa de assassinato, dano a propriedade e transporte de material de guerra, em relação a um ato terrorista", este "revolucionário profissional" autoproclamado enfrenta a possibilidade de uma nova condenação à prisão perpétua.

"Enfim um julgamento! As vítimas esperam há tanto tempo que Carlos seja declarado culpado e condenado, suas feridas jamais fecharão", diz o advogado Georges Holleaux, que representa 18 das 30 partes civis do processo, entre elas as viúvas dos dois homens mortos no atentado.

"Que interesse tem realizar esse julgamento tantos anos depois dos feitos? É algo extravagante (...)" denuncia a advogada de Carlos, Isabelle Coutant-Peyre, que lembra que seu cliente nega os crimes pelos quais é julgado, em particular os "assassinatos com relação com uma empresa terrorista".

Atentado

Para a acusação, o atentado de Paris se enquadrou no contexto da tomada de reféns na embaixada da França em Haia. Um comando do Exército Vermelho Japonês (ERJ), braço da Frente Popular de Libertação da Palestina (FPLP) - da qual Carlos era membro das "operações especiais" - exigia a libertação de um de seus membros, detido no aeroporto parisiense de Orly dois meses antes.

Esse homem carregava documentos sobre projetos de sequestro, com pedidos de resgates, de diretores de filiais de empresas japonesas estabelecidas na Europa para financiar o ERJ.

Principal responsável pela tomada de reféns, Carlos teria tomado a iniciativa de lançar a granada em Paris para subjugar o governo francês. E conseguiu. O detido japonês foi libertado e se reuniu em Aden (Iêmen) com os demais membros do comando de Haia.

A acusação se baseia também nos testemunhos de antigos companheiros de estrada de Carlos, entre eles o ex-revolucionário alemão Hans-Joachim Klein, a quem o venezuelano teria confidenciado querer "pressionar para que se liberte o japonês".

Os investigadores também reconstituíram o circuito da granada utilizada no atentado, que era do mesmo lote - roubado em 1972 em um acampamento militar americano - que as usadas pelos sequestradores de Haia, descoberta em Paris na residência da amante de Carlos.

'O Chacal'

A BBC afirma que o nome de guerra "Carlos" surgiu quando ele passou a integrar as operações exteriores da FPLP e a realizar atentados contra alvos ligados a Israel. Já apelido de Chacal foi dado pela polícia britânica, que ao revistar um de seus esconderijos, encontrou um exemplar do livro "O Dia do Chacal", do inglês Frederick Forsyth.