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Após noiva morrer, homem 'conversa com ela' durante meses

26 de julho 2021 - 13h01 Por Redação Douranews
Após noiva morrer, homem 'conversa com ela' durante meses

Depois que a noiva de Joshua Barbeau morreu, ele conversou com ela por meses. Não se trata de algum episódio em sessão espírita, mas de tecnologia. Avançadíssima, como se fosse uma história tirada da série "Black Mirror". Na verdade, Joshua falou com um chatbot programado para soar exatamente como a sua amada falecida.

Sinistro ou romântico? Em matéria no "San Francisco Chronicle", Joshua detalhou como o Project December, um software que usa tecnologia de inteligência artificial AI, na sigla em inglês) para criar chatbots hiper-realistas, que lhe deu a experiência de falar com a falecida. Tudo o que ele precisava fazer era inserir mensagens antigas e fornecer algumas informações básicas, e de repente o robô poderia se passar por sua parceira, Jessica, "no além" com uma precisão impressionante.

Joshua gtroca mensagens com 'Jessica'
Joshua gtroca mensagens com 'Jessica' Foto: Repopdução

O Project December é movido pelo GPT-3, um modelo de AI desenvolvido pelo grupo de pesquisa OpenAI, apoiado por Elon Musk. Ao consumir enormes conjuntos de dados de texto criado por humanos, o GPT-3 pode imitar a escrita humana, produzindo de tudo, desde artigos acadêmicos a cartas de amorosas.

Porém o que encheu o coração de Joshua de alegria pode provocar inúmeros malefícios. O perigo é real. Quando a OpenAI lançou o GPT-2, o predecessor do GPT-3, o grupo escreveu que ele poderia ser usado de "maneiras maliciosas". A organização previu que usuários mal-intencionados usando a tecnologia poderiam automatizar "conteúdo abusivo ou falso na mídia social", "gerar artigos de notícias enganosos" ou "se passar por outras pessoas online".

GPT-3, um modelo de AI desenvolvido pelo grupo de pesquisa OpenAI
GPT-3, um modelo de AI desenvolvido pelo grupo de pesquisa OpenAI Foto: Reuters

Assim, a OpenAI restringiu o acesso ao GPT-3, a fim de "dar às pessoas tempo" para aprender as "implicações sociais" de tal tecnologia.

À medida que a AI continua a se desenvolver, Oren Etzioni, CEO do grupo de pesquisa em biociências sem fins lucrativos Allen Institute, disse ao site "Insider" que vai ficar cada vez mais difícil dizer o que é real.

"A pergunta 'Este texto, imagem, vídeo ou e-mail é autêntico?' vai se tornar cada vez mais difícil de responder apenas com base no conteúdo", declarou ele.