Aquela imagem de uma força sem muitos recursos, com integrantes exibindo roupas civis, armas ultrapassadas e usando sandálias vai aos poucos sendo desconstruída com o "novo" Talibã, que, pelo menos no seu exército, vai se modernizando.
Estima-se que os Talibas herdaram, com a retirada das forças americanas, R$ 93 bilhões em armas e veículos militares abandonados, incluindo cerca de 200 mil armas de fogo e 20 mil Humvees apreendidos do Exército afegão. Oficiais de Inteligência dos EUA temem que haja cerca de 150 helicópteros e aviões para os insurgentes do Talibã usarem, incluindo 45 helicópteros UH-60 Black Hawk, contou o "Daily Mail".
Tudo é muito novo para a milícia. Imagens publicadas em mídia social parecem mostrar extremistas pegando um helicóptero Black Hawk abandonado para um "passeio' perto de Kandahar. O helicóptero chegou a taxiou na pista desértica, mas o piloto não conseguiu fazer a aeronave voar.
Sete helicópteros Black Hawk, que custam cerca de R$ 110 milhões cada, chegaram ao Afeganistão no mês passado, antes de o Talibã assumir o controle de Cabul.
Um dos retratos mais claros da "virada de página" militar do Talibã é a força especial batizada de Badri 313. Os seus membros foram "americanizados", usando uniformes e equipamentos americanos confiscados do Exército afegão, deixando para trás a imagem mais comum que se tem de um combatente fundamentalista afegão. Os extremistas pintaram o slogan "Força Vitoriosa" na lateral de um transporte blindado M1117, feito nos EUA ao custo de R$ 4 milhões.
Enquanto isso, nas sua campanha de reforma do país, o Talibã impõe aos civis uma série de alterações nos costumes, incluindo a proibição de música e do uso de calça jeans, outro símbolo americano.