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Guerra da Ucrânia: o plano que saiu furado

Putin foi um jogador que blefou diante de resistência

16 de março 2023 - 09h44 Por Redação Douranews
Guerra da Ucrânia: o plano que saiu furado ucrania bandeira — Metin Aktas/Anadolu Agency via Getty Images

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, publicou um longo ensaio, em julho de 2021, onde reafirmou a ideia de que russos e ucranianos constituem um povo único, que não deve estar separado por oposições políticas. O ensaio, que está disponível no site do Kremlin (em inglês) para quem quiser consultar, foi entendido como um compromisso firme de Putin com a necessidade de não permitir o alinhamento político de Kiev com os Estados Unidos ou a Europa. 

Essa ideia, que não nasceu agora – já o analista e político Henry Kissinger havia alertado, em seu livro “Diplomacia”, que a Rússia não aceitaria a perda da Ucrânia e da Geórgia – está na base da determinação de Moscou em avançar para uma guerra para obrigar Kiev a se submeter a sua orientação.

Um jogador tresloucado

Putin se comportou no tabuleiro internacional como um jogador ansioso pela próxima rodada, demasiado confiante na sorte. Sabemos que não foi a primeira vez. Suas jogadas anteriores incluíram o ataque à Geórgia em 2008, a colocação de tropas na Síria e – acima de tudo - a intervenção cheia de audácia que valeu a conquista da Ucrânia (e de parte do Donbass) em 2014. Todas essas jogadas valeram prêmio, sem retaliação por parte de seus opositores.

Mas a política internacional não é idêntica a um caça-níquel do Novibet cassino. Nem essa comparação é acertada: os jogadores dos cassinos online sabem que não devem exagerar seus lances, que devem jogar apenas para se divertir e esperar que a sorte faça o resto e lhes dê algum prêmio.

O presidente Putin virou um jogador de póquer em um filme Western antigo, blefando continuamente até encontrar resistência séria.

O Afeganistão e a pandemia

Muito se falou e falará nos próximos anos sobre os efeitos mentais causados pelo período pandêmico. Algumas pessoas se sentiram coagidas e limitadas pelo poder do Estado. Outras passaram períodos demasiado longos com pouco ou nenhum contato social. Isso terá criado problemas de saúde mental ou agravado certas tendências já existentes.

Não sabemos como Putin viveu a pandemia, mas sabemos que os Estados Unidos concluíram sua retirada do Afeganistão de forma desordenada e em meio ao caos em agosto de 2021. 

Esse acontecimento causou, em muitas pessoas por todo o mundo, a ideia que os Estados Unidos estariam enfraquecidos, militar ou politicamente. Desde as hesitações de Obama sobre a Síria, passando pelo discurso de Trump sobre a necessidade de a América se focar em si mesma, até um presidente (Biden) não conhecido por ser um durão, Putin poderá ter pensado que os Estados Unidos estariam mesmo na defensiva.

Não foi azar, foi mau cálculo

Analistas de política internacional mais refinados tiraram uma mensagem bem diferente do que ocorreu em Cabul. Os Estados Unidos deixavam para trás um erro. Erro militar, financeiro e geoestratégico, porque o Afeganistão, mesmo com toda a ajuda americana, não poderia “sobreviver” sozinho.

Quando você deixa para trás um erro, fica mais forte. A América estava se reposicionando para enfrentar a China com mais frescura e mais concentração. E é isso mesmo que está acontecendo nesse momento. Considerando a segurança dos aliados europeus dos Estados Unidos como essencial para a segurança americana, e com a proximidade entre Putin e Xi Jinping, ficou claro que Putin avaliou muito mal a situação.

E agora?

A esperança de Putin parece ser aguentar o conflito até um momento em que os Estados Unidos e a Europa percam sua união ou se cansem de apoiar a Ucrânia. Esperemos que possa ser possível evitar uma guerra mundial, e que o resto do mundo pressione as partes a encontrar uma solução.