KC-390, o cargueiro militar produzido pela Embraer — Reprodução
Nos últimos oitenta anos, a história nunca produziu uma sequência tão acirrada, intimidadora e trilionária de anúncios em investimentos militares como a verificada no primeiro semestre deste ano. Os negócios globais de 2,7 trilhões de dólares em compras de armas, desenvolvimento de sistemas e modernização de exércitos, de acordo com o Instituto Internacional para Estudos Estratégicos, configuram a maior quantia para fins de defesa desde o término da Segunda Guerra Mundial, em 1945.
A onda de insegurança surgida com a guerra Rússia-Ucrânia, a pressão dos Estados Unidos sobre aliados e os mais de trinta países envolvidos em 134 conflitos registrados pela ONU no ano passado turbinaram a escalada iniciada uma década atrás, com recordes ano a ano.
Nesse cassino de guerra, o Brasil vive um paradoxo. Ao mesmo tempo que entra para a elite dos fabricantes de caças supersônicos, com o Gripen F-39, e tem no cargueiro militar KC-390, da Embraer, o maior sucesso de vendas externas da sua história, o setor de defesa pena por falta de verbas e enfrenta o sucateamento das forças e a fuga de centenas de militares especializados.
No mundo, a temporada de gastos militares é vertiginosa. Sob o topete do presidente americano Donald Trump, em junho os 32 países-membros da Otan, uma aliança ocidental de defesa, anunciaram a elevação de gastos militares para 5% dos respectivos PIBs até 2035, passando a dedicar 3 trilhões de dólares por ano ao setor.
A alternativa seria assistir aos americanos saindo da Organização, insatisfeitos com bancar a maior parte da proteção à Europa. Na prática, a decisão não só projeta em mais dez anos a atual disputa pelas armas, mas causa um acirramento imediato.