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Opinião

Uma coalizão para o “bem” de Dourados

27 de dezembro 2010 - 17h43 Por Ribeiro Arce
Uma coalizão para o “bem” de Dourados
Depois de sofrer o maior vexame político administrativo de sua história com o grupo liderado por Ari Artuzi, o povo de Dourados está diante de outro desafio – escolher um novo governante para colocar o município no caminho da ordem e da decência. A renúncia do ex-prefeito e do seu vice, no inicio de dezembro, e a consequente definição da data da eleição extemporânea pela justiça eleitoral, colocou em polvorosa as ditas lideranças políticas douradenses, haja vista a possibilidade de governar a segunda maior cidade do estado.

Logo no início vários nomes foram ventilados como pré-candidatos, só o PMDB, maior partido da cidade, tinha cinco na disputa. É, mas a sanha foi contida pelas ditas lideranças políticas douradenses e de Campo Grande. Aliás, é da Capital que sempre vem a ordem final. Bastou uma visita do governador a Dourados para vários pré-candidatos retirarem seus nomes em prol de projeto maior para o “bem” da cidade.

É, muita gente “grande” que ama tanto Dourados teve que adiar o sonho em nome do entendimento. Gente que se intitula lutador, político persistente, um Workaholic, ou melhor um burro de carga de tanto trabalhar pela cidade, de repente larga tudo para apoiar o candidato abençoado e ungido pelos caciques políticos de Mato Grosso do Sul. Não adianta espernear, uma grande coalizão está se formando em torno do candidato do governador, aliás seu vice até o dia 31 de dezembro do corrente ano e tido por muitos como futuro prefeito de Dourados.

A tal coalizão é tão poderosa que já engoliu a grande maioria dos partidos políticos da cidade. Legendas tidas como de esquerda, de centro e de direita, que até pouco tempo era impossível imaginar juntas, estão amarradas em nome do entendimento para o “bem” de Dourados. Imagine caro leitor, os caciques políticos estão tentando enfiar goela abaixo do eleitorado douradense uma candidatura com um leque de aliados que mais parece uma colcha de retalhos, que vai do DEM ao PT, passando pelo PMDB, PDT, PSB, PTB e por uma renca de outras siglas chamadas de “nanicas”. A coisa parece tão boa que até o ex prefeito Ari Artuzi, principal responsável pelo caos que vive Dourados, já declarou apoio para o candidato ungido e abençoado pela classe política que decide os destinos do povo.

Ainda faltam alguns lances para concluir o tabuleiro de xadrez, cuidadosamente preparado em Dourados e Campo Grande, para o eleitorado confirmar no dia 6 de fevereiro próximo. O lance mais difícil será no dia 30 de dezembro e promete rachar ainda a legenda que governou a cidade por oito anos. Nesse dia o PT dividido realiza seu encontro para tomar uma decisão que ficará na memória da legenda e de seus filiados por muitos anos. Os delegados do partido terão que decidir em apoiar o candidato imposto pelos caciques políticos, especialmente da Capital, ou manter a coerência e independência, oferecendo para o eleitor outra proposta para administrar a cidade. O eleitorado merece mais opções e alternativas e no caso da eleição de Dourados, nesse momento, somente o PT que ainda não realizou sua convenção pode oferecer, escolhendo o seu pré-candidato, vereador Elias Ishy, para disputar a prefeitura.

O autor é professor da rede estadual de ensino - e-mail: [email protected]