É claro que esse discurso tem um forte apelo popular, é mais fácil de enlatar, embrulhar para presente ou até mesmo entregar sem muito cuidado ao eleitor, afinal, quem não está preocupado com a situação política na qual Dourados se meteu? Ou melhor, quem não está preocupado com a situação política que as “lideranças” políticas de Dourados a colocaram?
É mais fácil dizer que todos estão preocupados com Dourados do que lançar mais de uma candidatura, dando a possibilidade da verdade vir a tona. As “lideranças” não querem debater com a sociedade os motivos que levaram a cidade a essa situação vexatória. Por que será que o povo elegeu Ari Artuzi para prefeito da segunda maior cidade do Estado, depois de ter sido governada pela direita durante 65 anos, experimentado a esquerda por mais 8 anos, e tendo essas duas opções preferiu colocar um maluco na prefeitura? Esse é o debate.
Mas o povo, pobre povo, está ficando sem opção, pois os “preocupados” com a cidade estão jogando histórias, discursos e até o amor próprio na lata de lixo para salvar não sei exatamente o quê. Tudo em nome do discurso fácil do “bem” para Dourados. Triste sina de nossa cidade, todos juntos, no mesmo balaio, com pensamentos antagônicos, mas todos louquinhos para assumir cargos e “salvar” Dourados. Alguém acredita nisso?
Faço aqui minha mea culpa, confesso que estou decepcionado com algumas “lideranças” que até a pouco tempo eu admirava, só não estou mais decepcionado porque defendo as minhas idéias e opiniões bem antes de tê-las conhecido. A decepção talvez seja maior por ter acreditado no discurso do “projeto” por tanto tempo, só não sabia que o projeto era pessoal. Tenho que admitir, fui ingênuo, pensava que era projeto coletivo, projeto de sociedade.
Mas como diz o ditado, “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Haverá resistência! O dia 30 de dezembro ficará marcado na história das esquerdas em Dourados. Acredito que todos os partidos de esquerda que já fecharam a aliança “salvadora” terão baixas. No PT não será diferente. Essas baixas, que não serão poucas, haverão de fazer o verdadeiro debate com a sociedade.
Depois do dia 30 seja qual for o resultado do Encontro do PT restará duas correntes no partido: de um lado a corrente dos defensores do Democratas, que estão indo, inclusive, contra a orientação do Diretório Nacional do Partido. De outro, os defensores da coerência entre discurso e prática. Eu estarei, sem nenhuma dúvida, no segundo grupo. Mas com todo respeito, afinal, se Fernando Henrique Cardoso um dia falou “esqueçam o que escrevi”, porque as “lideranças” políticas do PT de Dourados não podem dizer esqueçam o que eu falei.
O autor é membro da Executiva Municipal do PT de Dourados