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Opinião

Coalizão para o bem de Dourados. Que discurso fácil...

28 de dezembro 2010 - 12h00 Por Joacir Rodrigues
Coalizão para o bem de Dourados. Que discurso fácil...
As eleições extemporâneas em Dourados que ocorrerão no início de fevereiro do próximo ano vêm sendo pautadas pelo discurso fácil das “lideranças” políticas de praticamente todos os partidos da cidade, de que é necessária uma grande coalizão partidária no sentido de um projeto maior para o “bem” do município.

É claro que esse discurso tem um forte apelo popular, é mais fácil de enlatar, embrulhar para presente ou até mesmo entregar sem muito cuidado ao eleitor, afinal, quem não está preocupado com a situação política na qual Dourados se meteu? Ou melhor, quem não está preocupado com a situação política que as “lideranças” políticas de Dourados a colocaram?

É mais fácil dizer que todos estão preocupados com Dourados do que lançar mais de uma candidatura, dando a possibilidade da verdade vir a tona. As “lideranças” não querem debater com a sociedade os motivos que levaram a cidade a essa situação vexatória. Por que será que o povo elegeu Ari Artuzi para prefeito da segunda maior cidade do Estado, depois de ter sido governada pela direita durante 65 anos, experimentado a esquerda por mais 8 anos, e tendo essas duas opções preferiu colocar um maluco na prefeitura? Esse é o debate.

Mas o povo, pobre povo, está ficando sem opção, pois os “preocupados” com a cidade estão jogando histórias, discursos e até o amor próprio na lata de lixo para salvar não sei exatamente o quê. Tudo em nome do discurso fácil do “bem” para Dourados. Triste sina de nossa cidade, todos juntos, no mesmo balaio, com pensamentos antagônicos, mas todos louquinhos para assumir cargos e “salvar” Dourados. Alguém acredita nisso?

Faço aqui minha mea culpa, confesso que estou decepcionado com algumas “lideranças” que até a pouco tempo eu admirava, só não estou mais decepcionado porque defendo as minhas idéias e opiniões bem antes de tê-las conhecido. A decepção talvez seja maior por ter acreditado no discurso do “projeto” por tanto tempo, só não sabia que o projeto era pessoal. Tenho que admitir, fui ingênuo, pensava que era projeto coletivo, projeto de sociedade.

Mas como diz o ditado, “vão-se os anéis, ficam os dedos”. Haverá resistência! O dia 30 de dezembro ficará marcado na história das esquerdas em Dourados. Acredito que  todos os partidos de esquerda que já fecharam a aliança “salvadora” terão baixas. No PT não será diferente. Essas baixas, que não serão poucas, haverão de fazer o verdadeiro debate com a sociedade.

Depois do dia 30 seja qual for o resultado do Encontro do PT restará duas correntes no partido: de um lado a corrente dos defensores do Democratas, que estão indo, inclusive,  contra a orientação do Diretório Nacional do Partido.  De outro, os defensores da coerência entre discurso e prática. Eu estarei, sem nenhuma dúvida, no segundo grupo. Mas com todo respeito, afinal, se Fernando Henrique Cardoso um dia falou “esqueçam o que escrevi”, porque as “lideranças” políticas do PT de Dourados não podem dizer esqueçam o que eu falei.

 

O autor é membro da Executiva Municipal do PT de Dourados