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Opinião

E a oposição?

11 de janeiro 2011 - 17h59 Por André Bento
E a oposição?
Deixamos para trás um 2010 sombrio politicamente falando. Na verdade, de sombrio ele não teve nada, foi um ano literalmente às claras para a política local. Pudemos ver muita coisa; até o que não gostaríamos tanto assim de ver. Sombrios foram todos os demais anos em que não se pôde ver o que realmente acontece em gabinetes, carros e casas de nossos representantes no legislativo e executivo municipal.

Mas não é esse o tema central deste texto. Na verdade o tema em questão não passa de uma pergunta. Se eu soubesse respondê-la, não a faria. Mas, imaginando que talvez seja uma dúvida existente na cabeça de muitos outros conterrâneos meus, faço-a na esperança de que quem saiba a resposta possa dá-la, de preferência sem os rodeios de que faço uso para questionar.

A grande dúvida que atormenta, creio eu, como já dito, não só a mim, mas a muitos outros douradenses, é relativa à possibilidade de elegermos para a Prefeitura do município alguém que desponta como unanimidade. Não vou aqui utilizar-me da consagrada frase de Nelson Rodrigues para dizer que toda unanimidade é burra, até porque a questão não é apenas a burrice, mas a falta que faz a discordância em uma unanimidade, principalmente quando o assunto é política.

Essa discordância, tratando-se de gestão pública, significa oposição. Oposição que, por sua vez, não quer dizer discordância constante, mas discussão, debate e respeito a diferentes pontos de vista. Faz-se necessária uma oposição forte e organizada em qualquer regime democrático, a fim de que evitemos o totalitarismo, a concentração de poder e a consequente impunidade.

Vivemos em um país que conhece muito bem o que representa o poder concentrado, um congresso dissolvido e a ausência de oposição. Pode ser que não seja de forma autoritária e truculenta como fizeram os militares, mas a imposição de uma chapa que se diz unida e unânime como uma das principais opções aos douradenses é dar as chaves do erário público a alguém que não tem quem o vigie.

Se num passado não muito distante, com uma “oposição ativa”, vivemos tempos sombrios, ou ensolarados, sabe-se lá ao certo, onde generosas partilhas de dinheiro faziam de lobos meros cordeirinhos, imagine-se em um governo unânime, quase que divino, em que ninguém ousa ser contrário. Esperemos que quem desempenhe a função de fiscalizador, se ao que tudo indica, nem oposição teremos?

Democracia é isso? Ou isso é DEMocracia?

André Bento é estudante de jornalismo e blogueiro blogdobento.wordpress.com - E-mail: [email protected]