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Opinião

A esquerda em seu labirinto

20 de janeiro 2011 - 22h41 Por PSTU – Partido dos Trabalhadores Unificados
A esquerda em seu labirinto
Em 2010, saímos às ruas, mostrando indignação expulsamos do poder alguns larápios, gatunos e evitamos o golpe da eleição indireta. Mas os nossos dias continuam “azedos”,pois convivemos com o ex-prefeito, o vice e empresários corruptos fora das grades e, sobretudo, com os vereadores “afastados” curtindo as praias do sul, com nosso dinheiro.

Além disso, as estruturas políticas dominadas pela corrupção continuam intactas. “Já fizemos tanto e tão pouco”, este verso dos cantores e compositores Ivan Lins e Sérgio Godinho, é revelador. Após, o revoltante “relaxamento” da prisão de Artuzi, de tão triste memória, nova eleição é anunciada, afinal “rei morto, rei posto”.

Com efeito, o vale tudo eleitoral volta, com “novidades”: o conluio PT / DEM (“Democratas”). Na fantasia ideológica midiática, o mega magnata Murilo Zaiuth seria “o grande líder” que conduziria os endinheirados de sempre e os pobres ao paraíso do “desenvolvimento com justiça social”.

Mas, à margem de toda pureza, o mauricinho Zaiuth carrega consigo o que há de pior da política local e uma dúvida: como abrigar na prefeitura tantos partidos e políticos viciados nas delícias do poder? O candidato, “tubarão” do ensino privado, tenta nos vender imagem de homem “sério” e “competente”, mas o passado o condena.

O político é dono do DEM, partido que apoiava a  “administração” Artuzi: seus afilhados políticos, os vereadores Sidlei Alves, Marcelo Barros e Paulo Henrique Bambu foram pegos com “a mão na cumbuca”. Não há marketing político que nos faça engolir tal devaneio.

O PT, “representante” dos “desafortunados”, desfigurado e dividido, “acerta”com Murilo e indica, conforme o site de noticias midiamax, a ex-diretora do Hospital Universitário e ficha suja Dinaci Ranzi como vice-prefeita. O arranjo político partiu dos chefes do partido, Tetila e João Grandão, derrotados nas últimas eleições.

Esse é mais um fato que denota o grau de putrefação do organismo petista que faz agonizar qualquer tentativa resgatar o passado de lutas do passado. Já o PSOL, por sua vez, não consegue desvencilhar-se do fato lamentável que enlameou o partido nas últimas eleições.

Em Dourados, o PSOL se dividiu entre o apoio ao candidato do PT e ao Artuzi, vergonhosamente. É lamentável que fato de tal gravidade tenha ocorrido, pois essa situação afeta toda esquerda. A direita e a mídia utilizam desses episódios, dessa falência moral, para dizerem “que são todos iguais”, que ninguém se salva, que a esquerda quer apenas um pedaço do poder.

Assim, para o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), há um duplo desafio para a esquerda: demonstrar aos trabalhadores e à juventude que não há nestas eleições quem nos representem. Nesse contexto, anular o voto é uma atitude de repúdio legítimo. O segundo desafio é recorrer aos sindicatos, movimentos populares, tanto em busca de reivindicações como a defesa de mais verbas para a saúde pública, moradia, acesso à educação de qualidade, aumento dos salários e redução da jornada de trabalho quanto em busca da sociedade socialista.

Por fim, Valério Arcary, doutor em História, explica que: a crença de que não podemos mudar os rumos da sociedade é a maior herança que os petistas deixaram, ou seja, a desesperança. Dourados demonstrou, contrariando as palavras do historiador, que é possível lutar e vencer .