Além disso, as estruturas políticas dominadas pela corrupção continuam intactas. “Já fizemos tanto e tão pouco”, este verso dos cantores e compositores Ivan Lins e Sérgio Godinho, é revelador. Após, o revoltante “relaxamento” da prisão de Artuzi, de tão triste memória, nova eleição é anunciada, afinal “rei morto, rei posto”.
Com efeito, o vale tudo eleitoral volta, com “novidades”: o conluio PT / DEM (“Democratas”). Na fantasia ideológica midiática, o mega magnata Murilo Zaiuth seria “o grande líder” que conduziria os endinheirados de sempre e os pobres ao paraíso do “desenvolvimento com justiça social”.
Mas, à margem de toda pureza, o mauricinho Zaiuth carrega consigo o que há de pior da política local e uma dúvida: como abrigar na prefeitura tantos partidos e políticos viciados nas delícias do poder? O candidato, “tubarão” do ensino privado, tenta nos vender imagem de homem “sério” e “competente”, mas o passado o condena.
O político é dono do DEM, partido que apoiava a “administração” Artuzi: seus afilhados políticos, os vereadores Sidlei Alves, Marcelo Barros e Paulo Henrique Bambu foram pegos com “a mão na cumbuca”. Não há marketing político que nos faça engolir tal devaneio.
O PT, “representante” dos “desafortunados”, desfigurado e dividido, “acerta”com Murilo e indica, conforme o site de noticias midiamax, a ex-diretora do Hospital Universitário e ficha suja Dinaci Ranzi como vice-prefeita. O arranjo político partiu dos chefes do partido, Tetila e João Grandão, derrotados nas últimas eleições.
Esse é mais um fato que denota o grau de putrefação do organismo petista que faz agonizar qualquer tentativa resgatar o passado de lutas do passado. Já o PSOL, por sua vez, não consegue desvencilhar-se do fato lamentável que enlameou o partido nas últimas eleições.
Em Dourados, o PSOL se dividiu entre o apoio ao candidato do PT e ao Artuzi, vergonhosamente. É lamentável que fato de tal gravidade tenha ocorrido, pois essa situação afeta toda esquerda. A direita e a mídia utilizam desses episódios, dessa falência moral, para dizerem “que são todos iguais”, que ninguém se salva, que a esquerda quer apenas um pedaço do poder.
Assim, para o Partido Socialista dos Trabalhadores Unificados (PSTU), há um duplo desafio para a esquerda: demonstrar aos trabalhadores e à juventude que não há nestas eleições quem nos representem. Nesse contexto, anular o voto é uma atitude de repúdio legítimo. O segundo desafio é recorrer aos sindicatos, movimentos populares, tanto em busca de reivindicações como a defesa de mais verbas para a saúde pública, moradia, acesso à educação de qualidade, aumento dos salários e redução da jornada de trabalho quanto em busca da sociedade socialista.
Por fim, Valério Arcary, doutor em História, explica que: a crença de que não podemos mudar os rumos da sociedade é a maior herança que os petistas deixaram, ou seja, a desesperança. Dourados demonstrou, contrariando as palavras do historiador, que é possível lutar e vencer .