Com o passar do tempo, o ser humano tende a esquecer algumas atitudes e comportamentos pelas quais antes era ovacionado e passa confundir-se incoerentemente. Reflita comigo: Se sou tratado como colaborador por uma instituição, gozo de prestigio junto a ela, certo ou errado?
É óbvio que um pedido meu (leia-se colaborador), teria um peso diferenciado, ainda mais sendo merecedor de um benefício que não se dá a qualquer um como a "delação premiada". De que pedido estou me referindo?
O afastamento dos vereadores pelo Ministério Público não seria necessário dirigir um pedido ou sugestão a pessoa errada como o artigo sugere, porém, precisamos fazer algumas considerações: se a Justiça não pediu o afastamento ela errou, foi omissa?
Não, não acredito em nenhuma das hipóteses, mas o que aconteceu então se os mesmos foram indiciados? O indiciamento foi um erro? Talvez, mas o MP erra?
Se erra, não virá a público reconhecer, pois seria um prejuízo muito grande para a instituição tão importante, pois para tal, visa a garantia dos direitos individuais e coletivos. São tantas perguntas necessárias para chegarmos a uma resposta aceitável.
Por outro lado, nos deparamos com dúvidas a respeito da forma como tudo foi feito, o que talvez fosse também um dos motivos pelo qual não temos resposta.
O que se sabe e se comenta, é que as gravações começaram com um objetivo e depois foram aproveitadas (ou legalizadas) para outro fim. Tal suposição se dá em função de dúvidas quanto a algumas gravações datadas de 2008, ou seja, período dois anos antes das operações serem iniciadas.
Mais uma pergunta: Quem programou os equipamentos? A Polícia Federal ou o colaborador? A PF é uma das polícias mais bem preparadas do mundo, seus peritos não cometeriam esse erro grotesco. Mas se assim fez, como legalizar algo mal feito? São dúvidas...
Se os erros são humanos, as instituições são feitas de seres passivos de erros, porém há aqueles que não admitem tamanha oportunidade de consertar a rota.
Existem erros e equívocos que cometemos que não afetam somente a nós e podem causar prejuízos irreparáveis sob o ponto de vista humano. Se há arrependimento mais tarde, só aproveita a nossa consciência.
Enquanto as respostas não vem, continuo raciocinando enquanto posso, em busca de explicações para as minhas interrogações.
Quem virá a público com uma reposta convincente não sei. Talvez só eu tenha dúvidas insanas.
O autor é ex-político e Bacharel em Direito. No twitter: @carlosbernarms