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Opinião

Escola Viegas e Academia de Letras, uma história de cumplicidade

28 de março 2011 - 16h48 Por Enio Ribeiro de Oliveira
Escola Viegas e Academia de Letras, uma história de cumplicidade
A Academia Douradense de Letras (ADL) alçou vôo em sala de aula, quando a professora Iracema Pereira Tibúrcio, e, futura acadêmica ensinava Literatura. Ela discorria sobre a importância de Agremiações e Academias de Letras, etc., na Escola Estadual Floriano Viegas Machado, nessa cidade. Seus ensinamentos encontraram eco entre os seus alunos, na pessoa do estudante Nicanor Coelho, que na época era um jovem sonhador. Ele foi um dos mentores do tema: Fundação da Academia. O “Nica”, como é conhecido no meio acadêmico foi em busca de outros escritores para se juntar a ele. Dentre os quais, encontra apoio na pessoa, e, autora desta obra. Com o encontro e a união das mentes afins, se dá a expressão do que seria a fundação da Academia Douradense de Letras em 15 de setembro de 1991. Nicanor Coelho foi o primeiro presidente da ADL, ele que foi alcunhado de: O idealizador. Texto transcrito integralmente do primeiro parágrafo, página 100, do livro, Usina Velha: raios na chaminé, autoria de Heleninha de Oliveira, 1ª edição, 2009.

Cito este depoimento da escritora Heleninha para demonstrar que a Escola Viegas, ao longo de sua existência, tem desempenhado as prerrogativas exigidas de uma escola no mundo contemporâneo, qual seja,  espaço de apropriação e produção do conhecimento, de cultura, lazer e cidadania.

Já a Professora Iracema Tibúrcio e Nicanor, o “Nica”, ambos se notabilizaram por participarem intensamente e apaixonadamente nos movimentos culturais em Dourados. Também são protagonistas de outras realizações, tão significativas quanto o da fundação da ADL. Iracema fundou e dirigiu a Rede Feminina de Combate ao Câncer em Dourados, contribuindo enormemente para que as mulheres e famílias vítimas desta doença sejam tratadas com dignidade e sofram menos; Já o Nica, criou o Grupo Literário Arandu, responsável pela publicação de livros, revistas e fomento a diversas atividades culturais e letras em Dourados. Os dois, escritores e poetas, grandes contribuições tem dado para a projeção cultural de Dourados e para consolidar a nossa cidade como um pólo cultural em todo o Estado de Mato Grosso do Sul.

Por outro lado, penso ser oportuno, contextualizar a década de 1990 em Dourados. A exemplo do que ocorri com a  sociedade a brasileira, a douradense havia avançado bastante no seu processo de redemocratização, sendo, portanto, uma década muito fértil para a produção intelectual, durante a qual (poetas, escritores, artistas, etc.) puderam expressar com mais liberdade suas ideias.

Todavia, eu o advirto, amigo leitor, Dourados, infelizmente, até os dias atuais, apesar de todos os avanços, tem um perfil conservador. Muitos temas ainda são encarados como tabus. Impera na mesma, portanto, o cerceamento a liberdade de expressão do pensamento.

Mas o interessante é registrar que a Escola Viegas, durante a década de 1980, se notabilizou pela existência de um movimento estudantil forte. Os centros cívicos deram lugar aos grêmios estudantis; e os profissionais em educação desta Escola participaram ativamente do movimento sindical e em outros movimentos sociais: comunitário, partidário e de cidadania.

Evidentemente, não me surpreende que a ideia de fundação da Academia Douradense de Letras tenha surgido nesta Escola. Esta Escola era e é um terreno fértil para o florescimento de movimentos de vanguarda de natureza cultural, literária e de cidadania. Por conta disso, não por acaso, é cúmplice na iniciativa de fundação da Academia Douradense de Letras. E não tenho dúvida, será cúmplice de muitas ações benéficas para Dourados.

 

Enio Ribeiro de Oliveira é professor de geografia da rede estadual de ensino