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Opinião

A educação é o caminho para o desenvolvimento

29 de março 2011 - 12h09 Por Ivo Campos
A educação é o caminho para o desenvolvimento

foto_artigo_ivo_camposEntre as várias propostas da pauta de negociações salariais dos educadores (as) existe um gargalo que a categoria representada pelos seus respectivos sindicatos, federações e patrões (Estado e Município) precisam aprofundar e resolver. Trata-se da ampliação do tempo para horas atividades para professores (as). Ocorre que alguns governadores de Estados entre eles André Puccinelli, que ao que tudo indica não tem compromisso com a educação pública, entraram no Supremo Tribunal Federal com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIN, contra a Lei do Piso Salarial Nacional para professores. Nessa Lei está garantido, além da implantação do piso salarial nacional para uma jornada de 20 horas semanais, o aumento das horas atividades dos professores dos atuais 25% para no mínimo 33,33%. Uma reivindicação extremamente coerente e justa, tendo em vista a melhoria na educação e a qualidade de vida dos trabalhadores (as).

Quem está alheio ao processo educacional dificilmente terá noção do cotidiano de alguém que passa oito, dez ou até doze horas em salas de aulas. Se fosse apenas para desempenhar a função de preparar conteúdo, transmitir conhecimento e trabalhar cidadania até que seria satisfatório. Mas o que de fato desgasta o educador é lidar com a indisciplina. Tanto que muitos educadores acabam adquirindo doenças psíquicas, stress e tantas outras. Hoje se percebe que no interior das escolas existem muitos professores (as) readaptados em outras funções pelo fato de não ter mais saúde para enfrentar a sala de aula.

Com relação à qualidade da educação, a excessiva carga horária dos professores, os problemas de indisciplinas por parte de alguns alunos, bem como a falta de estímulos destes, é possível que a escola de funcionamento em tempo integral, que já funciona em alguns municípios do Brasil, seja uma maneira de contrapor uma série de influências que a rua oferece às crianças, adolescentes e jovens. Hoje, infelizmente, enquanto os pais saem para o trabalho, muitas crianças ficam ociosas no período oposto ao que estuda. E é justamente esse tempo que precisa ser preenchido com outras ocupações, como reforço escolar, oficinas de teatro, dança, música, prática de esportes e outros. Portanto, crianças, jovens e adolescentes teriam assim pouquíssimo tempo para pensar em coisas como drogas, pequenos furtos, prostituição, etc. Se houver empenho do poder público para se efetivar tais iniciativas, estará contribuindo com a melhoria da auto-estima das crianças e, sobretudo, com o seu desenvolvimento social e intelectual.

O desenvolvimento da educação de base é pressuposto fundamental para os avanços rumo ao desenvolvimento do País. Em entrevista concedida ao site da Terramagazine o presidente da CAPES (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior), Jorge Almeida Guimarães diz que, “Ciência e educação é que nem futebol. Se não tiver massa, não dá. Se não tiver muito futebol de várzea, não vamos ter os Pelés”. E a inclusão dessa massa passa pela melhora progressiva do ensino público no Brasil e pela criação de mecanismos de inclusão dessas pessoas nas universidades, sobretudo, nas públicas. Guimarães ainda conclui que, “(...) enquanto não atingirmos isso, não temos a expectativa de tirar dessa massa os melhores cérebros”. Cérebros esses que estariam dando novos rumos à ciência e tecnologia a serviço do desenvolvimento.

Os países hoje desenvolvidos investiram e seguem aplicando muitos recursos em educação. O Japão é um exemplo de nação que enfrentou a crise, depois de sair arrasada da segunda guerra mundial, investindo pesado na educação. No relatório da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) com sede na França, o Brasil ocupa o 54º lugar no ranque mundial de qualidade de educação. Isso mostra o quanto temos que avançar. Mas aqui no Brasil para alcançar o patamar em nível de educação do Japão e de outros países desenvolvidos, como os europeus, por exemplo, há um aspecto fundamental que deve ser enfrentado: guerrear e vencer o mais breve possível a batalha contra a corrupção.

O autor é professor da Rede Municipal de Educação. [email protected]