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Opinião

O ataque é a melhor defesa

31 de março 2011 - 15h33 Por André Bento
O ataque é a melhor defesa

Embora seja uma temática já desgastada em meio ao debate cotidiano, a Operação Uragano - suas causas e consequências - ainda tem gerado muita polêmica. Os processos de cassação iniciados no começo de março provocaram uma reação quase que coletiva nos políticos envolvidos. Um desejo incontrolável de falar o que sabem e até o que pensam saber.

Uns se espernearam no intuito de amedrontar seus algozes e evitarem a perda dos direitos políticos. Outros agitaram só pelo barulho. Mas também vimos aqueles que agiram, ou bradaram ofensas aos quatro cantos, por puro despeito.

O exemplo mais recente disso foi o do ex-suplente de vereador Edvaldo Moreira. O afilhado político de Ari Artuzi não se conteve frente aos microfones da Rádio Grande FM e falou até demais. Na ocasião, às vésperas de renunciar ao cargo para evitar a perda dos direitos políticos, o pedetista falou em Deus e criticou Passaia. Até aí, nada que o diferenciasse dos demais.

A grande lambança de Moreira, contudo, começou quando ele disse que de 200 mil douradenses, no máximo 20 mil não seriam presos na operação da Polícia Federal do último setembro. Para ele, salvaram-se todos, ou quase todos, porque a malha da justiça no foi tão fina quanto deveria ser.

Chega a ser cômico ouvir um homem público, que se sustenta com o dinheiro público, afinal é servidor público, dizer que a sociedade que garante seu salário no fim do mês não é digna, nem tão pouco idônea. Ainda mais quando ele próprio, na condição de denunciado pelo Ministério Público Estadual (MPE) por corrupção passiva e formação de quadrilha, clama pelo resgate de sua enlameada moral.

Em algumas horas de programa, tendo em mãos o poder da palavra e a audiência de uma rádio, Edvaldo Moreira falou muito, mas não se explicou. Ao contrário, tentou a todo momento fazer do povo douradense farinha do mesmo saco ao qual se encontra. Pior, confirmou que fez parte de um esquema corrompido e que foi incapaz de sequer defender o interesse daqueles que o elegeram. Apesar de que nem isso ele conseguiu. Era suplente.

É preciso rir para não chorar. Até porque, esses mesmos douradenses referidos por Edvaldo Moreira de forma pejorativa, ainda se recuperam da decepção tida com ele e seus companheiros de Legislativo. Não foram 200 mil os presos pela PF. Nem foram 200 mil os denunciados pelo MP. Ele sim. Ele deve se explicar. Caso não consiga, é melhor que se cale.

Por enquanto, sem conseguir explicar o inexplicável, ou sequer se desculpar pelo erro, Edvaldo Moreira, o afilhado de Artuzi, segue fazendo uso da máxima de que o ataque é a melhor defesa.

O autor é estudante de jornalismo