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Opinião

As palmeiras imperiais da Marcelino Pires

11 de abril 2011 - 10h30 Por Ribeiro Arce
As palmeiras imperiais da Marcelino Pires
Desde que o governo de Wilson Martins (1983/1986) duplicou o prolongamento da avenida Marcelino Pires na saída para Campo Grande, construindo os canteiros centrais e a ciclovia, as sucessivas administrações municipais de Dourados não conseguiram desenvolver e implantar um projeto ambiental de preservação e embelezamento daquela importante via pública, uma das portas de entrada da cidade.

Cada prefeito que entra tenta deixar sua marca na avenida, até monumento foi construído para homenagear os colonos pioneiros da Colônia Agrícola Nacional de Dourados, projeto de reforma agrária do ex presidente Getulio Vargas. A ciclovia é utilizada diariamente por centenas de ciclistas e caminhantes que aproveitam o local para se exercitarem nas manhãs e finais de tarde, uma vez que a região não possui nenhum parque, apesar das reivindicações dos moradores dos bairros da região.

A administração do ex prefeito Tetila promoveu um grande ato político com parceria de várias empresas e propaganda na mídia para o plantio, nos canteiros centrais da via, de espécies regionais, como ipê. Plantou e não cuidou e a maioria das mudas morreu esturricada pela seca. As que salvaram valentemente insistem em sobreviver, apesar do abandono.

O ex prefeito Ari Artuzi optou pelo plantio de mangueiras, foram dezenas de mudas espalhadas ao longo da avenida. Plantou e também não cuidou, morreram todas, não salvou uma sequer. Quem passa diariamente pela ciclovia até encontra algumas espécies de mangueira que insistem em sobreviver no canteiro central, plantadas muito antes do mandato do prefeito do escândalo da “Uragano”.

A administração do Murilo e da Dinaci (DEM/PT), também em parceria com empresas vinculadas a um tal “Observatório Ambiental” está deixando sua marca nos canteiros centrais da Marcelino com o plantio de palmeira imperial, espécie originária das Antilhas, plantadas pela primeira vez no Brasil pelo príncipe regente D. João VI no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, em 1809. Na extensão que vai da rua D. João VI, próximo do Ubiratan, até o final da Marcelino Pires, na rodovia 163, a prefeitura plantou 160 mudas de palmeira imperial e promoveu um ato, com a presença de empresários e do bispo católico da cidade para inaugurar o grande feito, denominado de ação ambiental.

Nada contra o plantio de palmeira imperial, só que esse ato da prefeitura está longe de ser considerado uma ação ambiental numa avenida tão abandonada pelo poder público. Para se ter uma ideia do descaso e da irresponsabilidade, os homens que efetuaram o plantio da espécie palmeira, arrancaram dezenas de plantas ao longo da via, como jenipapo e aguaí. Aliás, a espécie aguaí foi eu que plantei, depois de ouvir os caminhantes reclamarem da falta de sombra no local. Plantas com mais de dois anos, com cerca de um metro de altura e carregadas de flores amarela foram simplesmente arrancadas de forma brutal, uma vez que nos seus locais não foram plantadas nenhuma palmeira. Ação ambiental, ou crime ambiental?

Desde que as palmeiras apareceram no canteiro, tenho ouvido muitas reclamações dos caminhantes. Queremos sombra dizem eles. A vice prefeita Dinaci, os empresários e o bispo da cidade que inauguraram o plantio com muita pompa, faixa afixada no canteiro e matéria na mídia, perderam uma grande oportunidade de fazer uma caminhada pela avenida e detectar “in loco” o quanto as plantas daquele local necessitam de cuidado e a quantidade lixo jogado no canteiro central.

Iriam ver também que tem empresários que jogam restos de oficinas ao redor das plantas e que não existe controle de pragas, principalmente formiga, cupim e lagarta de coqueiro que assustam os transeuntes, principalmente as mulheres. O correto seria a prefeitura, pelo menos, ouvir a opinião das pessoas que utilizam diariamente aquele espaço. Não há como implantar uma ação ambiental sem educação ambiental e envolvimento da comunidade. Lembre-se, planta é como animal adotou tem que cuidar.

Ribeiro Arece é professor da rede estadual de ensino. E-mail: [email protected]