Há muito escutei esta historia, senti a sua veracidade, porém não encontrei dados que a comprovem. O que está escrito não condiz com esta realidade.
Nos idos de 1979, em uma chácara na entrada de Dourados, fui assistir a um torneio de tênis, levado pelo meu colega, um tenista apaixonado. Sentei-me ao lado da quadra e lá também estava acomodado um senhor, de voz firme, com perfil autoritário, e pela nossa proximidade, iniciamos um dialogo. Apresentações mútuas, e uma pergunta feita.
- Você “forasteiro”, disse ele pra mim, sabe a origem desta bandeira aí hasteada?
- Minha resposta lógica de alguém que estava acabando de chegar no Mato Grosso do Sul, foi um não,... até bem tímido.
- Pois bem, vou te explicar. Sabe, fomos defensores ferrenhos da separação de nossos Mato Grossos, e esta bandeira tem uma das mais belas heráldicas.
Olhe só, este azul é céu ou água ?
Vi uma estrela amarela inserida neste azul, e logo respondi: - Acredito ser o céu.
-Não é não, respondeu, de forma debochada, o “velho separatista”.
Aí então iniciou-se uma bela explanação da história. Preste atenção.
Coloque a bandeira do Mato Grosso do Sul estendida sobre uma mesa, fique de frente a ela e perceba que o verde escuro está acima a sua esquerda, a noroeste, bem onde é a divisa dos Estados de Mato Grosso e o nosso.
O azul está separado deste verde por uma faixa branca, que corresponde à separação sem discórdias. Caso tivéssemos separado por lutas, com derramamentos de sangue, a cor da faixa seria vermelha, o que não foi o nosso caso.
Veja que a estrela é de cinco pontas e da cor amarela, o que corresponde ser um astro.
Sim, representa Vênus, a estrela Vespertina, a primeira que nos aparece no Oeste, logo que o sol se põe, indicando que somos deste Oeste.
- Como no oeste? A estrela está do lado leste da bandeira, disse eu.
- Aí é que está a beleza desta nossa Bandeira, respondeu-me o firme “separatista”. A estrela está a sudeste, inserida no azul, isso representa Vênus, que está a Oeste, refletido no Sul de nossas águas pantaneiras. Por isso, Mato Grosso do Sul!!!, exclamou, com semblante de honradez.
Passei anos a fio procurando por esta heráldica. Uma vez, já a tempos, um Coronel da PM de Mato Grosso do Sul também me confirmou esta história, porém nunca mais tive a oportunidade de rever e agradecer ao “Grande Separatista Sul Matogrossense”, pois mal saberia ele que o então “forasteiro” assumiria esta terra para viver.
Hoje presto homenagens a este senhor desconhecido, repassando essa historia aos meus alunos, sempre esperando encontrar pela sua comprovação.
Rubens Di Dio é Engenheiro Civil e Professor da Unigran