Mesmo assim, a UFGD ainda possui ao menos dois grandes problemas a resolver. Primeiro, é demasiado “pesada” em termos burocráticos e administrativos e possui um sistema de informação acadêmica obsoleto, o que onera trabalhos de rotina, dificulta a captação de recursos financeiros e pesa sobre a produção científica. Segundo, é muito centralizadora no que diz respeito à tomada de decisões, situação esta amparada por seu estatuto e regimento geral. Contudo, paradoxalmente ela segue com um ritmo de crescimento elogiável, o qual seria ainda maior e mais consistente caso fosse mais “leve” e descentralizada. Esta observação tem repercutido na comunidade universitária e administração central, motivo pelo qual muitos anseiam por mudanças nos próximos quatro anos.
Sobre a história das universidades públicas no estado, faz-se necessário pontuar que todas elas descendem direta ou indiretamente da antiga UEMT (Universidade Estadual de Mato Grosso). Esta instituição foi criada no Sul do antigo Mato Grosso em 1969 e ampliada em 1970. Sua federalização ocorreu em 1979, dois anos após a criação de Mato Grosso do Sul, quando foi transformada em UFMS. Dela descende a própria UFGD, (re)nascida a partir do antigo CEUD (Centro Universitário de Dourados), um campus avançado da UFMS criado em 1970 e inaugurado em 1971, época em que era Centro Pedagógico de Dourados (CPD), também ligado à UEMT. A UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), por sua vez, criada com a Constituição Estadual de 1979 e ratificada na de 1989, foi instituída em 1993 e implantada a partir de experiências oriundas da UEMT e UFMS. Surgiu para ser posteriormente federalizada, perspectiva esta que se tornou inviável, anacrônica e descabida nos dias de hoje. Pelas suas origens, portanto, todas elas têm certos vícios em comum a superar: dificuldade de serem planejadas de maneira estratégica, intervenção político-partidária em seus rumos, certo provincianismo acadêmico e personalismo de alguns de seus dirigentes. Em quase todo esse processo há a marca, para o bem ou para o mal, de Pedro Pedrossian, ex-governador de Mato Grosso (uno) e Mato Grosso do Sul, quem ainda participou do processo de criação da UFMT (Universidade Federal de Mato Grosso).
No caso da UFGD, tem causado desconforto a docentes da casa e de outras instituições a divulgação do enunciado “A melhor universidade de Mato Grosso do Sul”. Segundo alguns avaliam, se ela se diz a melhor do estado, em que lugares estariam as outras que aqui existem? Longe de denotar soberba e arrogância, a frase tem mais a ver com um brado de maioridade, a comemoração de conquistas e uma resposta aos que se opuseram à sua criação e avaliaram que ela estaria fadada ao fracasso desde o início.
Mas na prática, o fato é que as três universidades públicas no estado mantêm profícuas relações de parceria e colaboração em si, e não uma disputa por colocações na lista do INEP. Sistematicamente somam esforços para o desenvolvimento da educação, da ciência e da tecnologia, pois sabem que delas também depende – e muito – o desenvolvimento de Mato Grosso do Sul.
O autor é doutor em História/Arqueologia pela PUCRS, professor associado da UFGD e pesquisador do CNPq [email protected]