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Opinião

Uragano, lembra-se?

18 de junho 2011 - 00h08 Por Ana Maria da Silva, Genivaldo Pinheiro de Andrade, Letícia Cerutti Facco, Paulo Freire Sobrinho e Ve
Uragano, lembra-se?

A palavra “corrupção” vem do latim "corruptio", de "corrumpere", verbo a expressar a “ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação”[2]. É o que apodrece e passa a cheirar mal. “O desagrado do mau cheiro trouxe o sentido figurado de devassidão, depravação, perversão”[3].

No sentido etimológico[4], o termo denota um desvio de conduta do padrão moral admitido pela sociedade, desvio esse que coloca em risco a vida social e as instituições que a garantem.

É senso comum que a corrupção compromete a qualidade de vida dos cidadãos, na medida em que o dinheiro desviado não é aplicado onde deveria (leia-se, investimentos em obras de infraestrutura, saúde pública, educação, segurança pública). Mas não é só nesse aspecto que a corrupção repercute.

Na vida empresarial e econômica do país os efeitos desse “câncer” são devastadores. A corrupção anda de “mãos dadas” com o descrédito nas instituições públicas, gera instabilidade econômica e afasta os investidores externos.

Apenas como exemplo, qual empresa nacional ou internacional, com renome, que zele por sua imagem, após os escândalos envolvendo diversos políticos e até mesmo o Poder Judiciário de nosso Estado (MS), terá confiança de investir aqui? Vislumbra-se que de uma análise muito superficial já se escancaram as consequências, em várias esferas da sociedade.

Segundo o economista Marcos Alves, em entrevista sobre o tema, a corrupção é desastrosa, “Isso é lógico. Não há competição igual se a empresa que ganha o contrato do governo não é a que oferece o melhor serviço ao melhor custo-benefício, e sim a que paga propina. Devido a esse tipo de prática, o governo brasileiro gasta muito e sem qualidade”.[5]

No Estado de Mato Grosso do Sul, recentemente, acompanhamos um emaranhado de denúncias de corrupção. Falou-se em desvio de dinheiro público, cobrança, recebimento de propinas, entre outras. Houve prisões, habeas corpus negado e admitido e renúncias a cargos públicos.

Contudo, atualmente, quase não se ouve falar no caso e nós, meros cidadãos, nos questionamos: como ficou a situação das pessoas envolvidas? E o dinheiro voltou aos cofres públicos? Houve punições?

Conforme se veiculou na mídia, alguns dos envolvidos nos escândalos de corrupção, na cidade de Dourados, foram cassados e outros renunciaram aos seus mandatos eletivos. No entanto, ainda não há registros de devolução dos valores que foram apropriados indevidamente.

Ainda mais recentemente descobriram-se esquemas na câmara de vereadores da cidade. Por meio de funcionários fantasmas, alguns membros da câmara encontraram novas formas de se apropriar do bem público, fazendo empréstimos consignados, pasmem! Mais uma vez a falta de respeito com o que é público. Até quando Dourados?

A história se repete, como verdadeiro ciclo vicioso. Entretanto, todas essas denúncias reacendem uma esperança nos corações douradenses: que ocorra, enfim, uma transformação de ciclo vicioso para virtuoso!

Para isso, é preciso um pouco mais do que apenas cobrar uma resposta estatal aos políticos corruptos. É preciso também uma conduta ativa do eleitor, não cabe mais em meio às tecnologias do século XXI a velha desculpa de que o brasileiro não tem memória.  Quem sabe, um gesto simples já emoldure os ventos de mudança.

Como vimos, corrupção significa conduta não admitida pela sociedade. Mas se, ainda assim, for difícil lembrar quem participou dos propalados esquemas (é só checar no Youtube), que tal nas eleições não só levar o número de seus candidatos anotados para não esquecê-los, mas também levar os nomes dos envolvidos nesses escândalos? Se a justiça, muitas vezes, é tardia (e será mesmo cega?)[6], o eleitor pode fazer a diferença.



* Texto produzido durante curso de capacitação da UFGD pelos técnicos administrativos Ana Maria da Silva, Genivaldo Pinheiro de Andrade, Letícia Cerutti Facco, Paulo Freire Sobrinho e Verônica de Lourdes Pieto de Oliveira.

[2] http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&palavra=corrup%E7%E3o -  Acesso em 10 de junho de 2011.

[3] OLIVEIRA, Mozar Costa de — bacharel em filosofia (Universidad Comillas de Madrid), mestre e doutor em direito (USP), professor aposentado de direito (Universidade Católica de Santos, São Paulo) - http://mozarcostadeoliveira.blogspot.com/2010/05/orrupcao-dificuldades-do-seu-conceito.html

[4] Estudo da origem e evolução histórica das palavras.

[5] Entrevista veiculada, no dia 09/03/2008, às 09h23, domingo, no site http://www.nominuto.com./noticias/cidades/os-efeitos-da-corrupcao-nodesenvolvimento-do-pais-sao-desastrosos-diz-economista/12899, acesso em 28/04/2011, às 16h00.

[6] Diz-se que a justiça é cega porque não enxerga a quem está julgando (se rico ou pobre, se instruído ou não), exercendo sua jurisdição, de forma igualitária, sob qualquer cidadão.