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Opinião

Frei Bernardo Detling, meu professor

01 de julho 2011 - 19h45 Por José Tibiriçá Martins Ferreira
Frei Bernardo Detling, meu professor

De 1964 a 1967, estudei no Seminário Santo Antonio de Rio Brilhante, cidade cuja população era pequena, existia além do Seminário, o internato do Professor Oacir Vidal, lugar de encontro dos amantes do futebol de salão, ali se reunia a maioria dos desportistas rio-brilhantenses.  No Colégio Estadual Fernando Corrêa, também estudei à tarde, cursando a oitava série com Arquelon Garcia Nantes, Cleonir Ortega Mira, Franklin Antunes Soares, João Rebecchi, Joaquim Azevedo, Juarez José da Silva, Jussara Martins Cerveira, Loacir da Silva, Maria Inês Artacho Peres, Osvaldo Guerino da Silva, Sonia Ferreira Martins, Tadeu da Cruz Rodrigues e Tânia Mara Martins Cerveira.

O seminário tinha um time de futebol que era imbatível na época, cuja seleção juvenil da cidade, apenas conseguiu  empatar conosco por 3 x 3 uma vez, ainda com a inclusão de dois bons jogadores da cidade, Noercio (diabo loiro) e o Zé Galinha para completar o time, nosso técnico era o frei Norberto, que vive hoje em Rondonópolis-MT.

Frei Patrício Salmon, frei Eucário Smidt, frei Everaldo Kremper, Frei Miguel, Adilvo Mazzini, Jacir Brunetto, Mabílio Anesi e Ludovico Adami foram nossos professores no seminário. Ali nós trabalhávamos, praticávamos vários esportes e nos finais de semana, pescávamos nas lagoas  e no Rio Brilhante.              .

Em 1966 ali chegou Frei Bernardo Detling que além de professor, dirigia os trabalhos administrativos e gostava de umas peladas de futebol, cujos padres jogavam de batina. Dali fui para o seminário de Agudos onde fiquei de 1968 a 1970. Como o seminário estava em situação difícil, pois havia poucos professores em Rio Brilhante, frei Bernardo pediu a mim que o ajudasse, contribuindo como professor. Assim o auxiliei em 1971, já como professor, trabalhava na parte da tarde, pois na parte da manhã viajava para Dourados em companhia da professora Maria Jaci Sagmeister, pois cursávamos o primeiro ano de Letras com Inglês no CEUD, ela hoje está aposentada.

Em 1972 tive que prestar o serviço militar no NPOR em Campo Grande e cursar o segundo ano de faculdade, ano em que afastei-me de frei Bernardo e assim o seminário aos poucos foi fechando suas portas por falta de auxiliares. Foi alugado para terceiros onde funcionou uma escola chamada Éden, mas não prosperou, cujo prédio foi devolvido praticamente depredado e com dívidas deixadas pelos locadores que tiveram que ser pagas pela missão franciscana. Ficou fechado por muitos anos até ser entregue à Fazenda Esperança que está adequando sua estrutura.

Assim a obra que foi iniciada na década de 1960 pelos franciscanos valeu a pena, pois hoje lá funciona a dita instituição, onde trinta e cinco pessoas estão sendo atendidas, sob a direção do José, do Roger, Afonso e outras pessoas.

O prédio hoje está com um visual melhor, assim além do trabalho dos  outros frades que por ali passaram e deixaram sua contribuição, nós alunos seminaristas, na sua maioria menores de dezesseis, contribuímos com o nosso trabalho, carregando o caminhão com tijolos em companhia do frei Hugo, mestre de obra que nos abriu o horizonte.

Frei Bernardo no período em que esteve ali, além da educação, investiu na criação de suínos, gado vacum, adquirindo várias vacas holandesas e deixou a estrutura pronta para a Fazenda Esperança.

Frei Bernardo dali partiu para Cuiabá, trabalhou na província, onde deixou muitas boas obras e agora temos a honra de tê-lo como pároco em Dourados, onde resgatou a autoestima dos paroquianos e  com um grupo de pessoas despreendidas conseguiu construir o Mosteiro das Clarissas no Bairro Parque Alvorada, uma obra admirada por muitos que vem a essa cidade, sendo entregue  num dia frio do mês de julho de 2008.

Muita coisa tenho para falar sobre frei Bernardo, assim o título que ele está recebendo de cidadão douradense é mais do que justo, mereceria outros,  afinal a dedicação dele por todos esses anos  de trabalho no Brasil,  ainda é muito pouco pelo que ele fez pelos menos favorecidos, tanto no campo espiritual como material.

Como ex-aluno dele, como amigo e como paroquiano, quero parabenizar a iniciativa da Câmara de Vereadores de Dourados por este ato de homenagem. Ele deve estar mais feliz e alegre e infelizmente ele logo partirá para Alemanha, sabemos que mesmo longe ele estará com o pensamento voltado por onde ele passou.

O autor é advogado e produtor rural no distrito de Picadinha, em Dourados