Exigir que os magistrados e os tecnocratas entendam e conheçam a complexidade e a sistemática imposta ao Homem do Campo para fazer chegar nos primeiros raios de sol o leite que prontamente preparado serviráa para o café da manhã, seria necessário estabelecer uma ligação inédita e de raríssima ocorrência: Passar uma temporada junto com este produtor incansável e enumerar alguns pontos para elucidar a memória daqueles que pouquíssimo sabem da lida do dia-a-dia.
Suas principais dificuldades, seus afazeres diários, o manejo e os cuidados e o zelo com os animais, trazendo o alimento saudável a tempo e a hora identificando os problemas sanitários, ministrando medicamento, interferindo no momento certo, luta esta que exige paciência, dedicação, conhecimento da natureza animal, flexibilidade de horários, muitas vezes altas horas da noite e madrugada adentro, é comum o homem do campo estar junto ao seu rebanho, ajudando com maestria o parto complicado de uma de suas reses, só descansando após ter feito a cria realizar a mamada do colostro.
Apesar do trabalho do dia ser de uma exigência imensurável, na madrugada o compromisso se agiganta e ele se levanta para a ordenha rotineira, se alimenta às pressas, e corre para o curral onde confere teto-a-teto a conseqüência do trato do dia anterior.
Embora saibamos das exigências necessárias para preservação da saúde publica, há de se ter a sensibilidade da percepção e entender que esse trabalho é uma atividade intrinsecamente necessária e enraizado em nossa cultura regional que merece o respeito justo e um tratamento referencial e cuidadoso por parte de nossos autoridades e dirigentes, por se tratar de um trabalhador na luta pela sobrevivência de seus familiares.
Sugiro então aos letrados que se despertem ao som de um celular digital, e visitem na madrugada o trabalho incansável e respeite esse ser Humano incrível que conhece o calor o frio e a chuva antes que o sol perceba e observe este homem do campo que o poeta viu, sentiu, e fez versos...
NO ROMPER DA AURORA
QUANDO CHEGAR A HORA
ELE SE LEVANTA...
ENQUANTO O BEM-TI-VI CANTA
FAZENDO ALVORADA...
ELE TIRA O LEITE, TETO - A - TETO...
DERRAMADO POR VOCE...
QUE NÃO VIU
QUE NÃO VE
QUE NÃO SABE
QUE NÃO CRÊ...
E PRECISA BEBER
O autor é consultor de Agronegócios