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Opinião

Os “mauricinhos” de insensato coração

10 de julho 2011 - 12h59 Por Ribeiro Arce
Os “mauricinhos” de insensato coração

 

A seleção brasileira de futebol que representa nosso país na Copa América ainda não acordou para a responsabilidade que tem com uma nação de 180 milhões de cidadãos e cidadãs. Empatou o primeiro jogo com a “fraca” Venezuela, tirou o sarro na Argentina, nosso maior rival, por ter empatado com a “fraca” Bolívia e passou quase uma semana treinando e assistindo a novela Insensato Coração da rede Globo. Num clima de deboche e esculacho ainda trocaram figurinhas com atores da trama global. Nada contra a novela.

Para surpresa, quando chegou o memento do jogo com o Paraguai os noveleiros globais “amarelaram” literalmente em campo. Tomaram um “chocolate” e o vexame só não foi total por que um reserva, o atacante Fred, salvou a seleção no apagar das luzes do segundo tempo. O empate com os paraguaios acendeu uma luz no fim do túnel para seleção de Mano Menezes e seus jogadores que até agora se preocuparam mais com os holofotes das emissoras de TV do que com a bola e o verdadeiro futebol.

Ainda está na memória de boa parte dos brasileiros um outro vexame da seleção de futebol. Lembro bem, foi em 2004, quando Robinho era Neimar, pedalava, gingava, jogava para as câmeras de televisão e fazia gol de placa. Era celebridade junto com seu companheiro Diego. Aí veio a seletiva para as Olimpíadas, era só festa, flashes, entrevistas, jogadas de craques e gols maravilhosos. Isso foi até chegar o jogo com o Paraguai. Levamos uma “tinta”, perdemos a partida para os guaranis por dois a zero, a seleção saiu cabisbaixa de campo juntou as tralhas e os jogadores voltaram para seus times de origem com as cabeças “inchadas” e uma grande lição, o futebol é coisa séria. O futebol brasileiro, claro, naquela ocasião ficou fora dos jogos olímpicos.

Para surpresa de muitos milhões de brasileiros a atitude debochada e individualista está se repetindo na seleção que disputa a Copa América na Argentina. Alguns jogadores, dentre eles Neimar, declararam, em tom de deboche, preferir assistir a novela Insensato Coração a ver o jogo da Argentina. Pelo menos, no futebol menosprezar o adversário é chutar contra o próprio gol. Que o empate com o Paraguai, em dois a dois, sirva de lição.

Mesmo tendo só empatado na Copa América, em dois jogos, a seleção brasileira tem ampla chance de classificação, basta ganhar a próxima partida contra o Equador. Para isso será necessário mais humildade, raça e futebol coletivo. Moagens e flashes em excesso nesse momento só servem para aumentar a vaidade. Vaidade não combina com futebol, um esporte coletivo onde um depende de todos e vice versa.

Vamos acompanhar a seleção e ler nas entrelinhas das reportagens que vem da Argentina. Se parar com as badalações e moagens é sinal que a coisa mudou por lá e os jogadores aprenderam a lição que vestir a camisa da seleção brasileira de futebol, ou de qualquer outro esporte, é defender a uma nação. Perder não é desonra, agora, zombar é desrespeitar e se não ganhar fica mais feio ainda. Vamos torcer!

O autor é professor da rede estadual de educação de MS. E-mail: [email protected]