Hoje a Rua 14 de julho, artéria principal da capital completa 100 anos, ali muitos fatos importantes da nossa história do Estado aconteceram, manifestações em prol da divisão, hoje ainda é o local do comércio forte. O antigo Colégio Dom Bosco, onde fui professor na década em 1974, onde concluí o Curso de Letras com Inglês naquele ano na FUCMAT – Faculdades Unidas Católicas de Mato Grosso, hoje UCDB - Universidade Católica Dom Bosco.
A Rua 14 de julho é muito longa, estendendo-se do Cemitério Municipal Santo Antônio até a Avenida Mascarenhas de Moraes, isso é visto quando entramos na cidade. É considerada uma das mais largas e retas ruas de mão única da Capital, com quase 5 km de extensão. Passa pelo antigo bairro da Ferrovia Noroeste, cascudo, hoje denominado bairro São Francisco, onde existem várias ruas nominadas das batalhas da Guerra da Tríplice Aliança, onde tem uma pracinha próxima da Igreja São Francisco, onde o Poeira fazia ponto, em frente ao mercado Comper. Pessoa que conheci fazendo pequenos serviços no bairro, gostava de uma cachacinha nos fins de tarde, como todo brasileiro. Foi tão importante que é lembrado numa música de cantor de Campo Grande, cidade em que está presente um pouco da história do nosso estado de Maracaju, sonhada por Vespasiano Martins.
Falando em Estado, é uma burrice quer mudar o nome, para outro qualquer, afinal nossa identidade é mato-grossense, não temos culpa da divisão do Estado que apenas serviu para satisfazer o ego de alguns políticos. É obrigação deles divulgarem lá fora o nome dele, mas infelizmente o que se vê é a divulgação de escândalos, cujas personagens para cá vieram no tempo da divisão e não amam este Estado, são mercenários, vide o caso da denúncia contra um ex-deputado constituinte que parecia estar bêbado quando denunciou atos não recomendáveis pela assembleia legislativa, executivo e judiciário. Quanto ao resultado, o Juiz Santini afirmou que ele apenas tinha feito trocadilhos, desmentindo o que tinha dito, cuja população brasileira e de Passo Fundo-RS, também assistiu, cujo apoio compartilhou com o ex-deputado e ex-prefeito de Dourados, cassado, o qual veio do Município vizinho São Valentin e os ex-deputados por coincidência têm o mesmo nome, chamam-se Ary e parecem que são de origem carcamana.
Quanto à Rua 14 de julho, em Campo Grande, a missa da celebração da Eucaristia a tem como palco, ela faz esquina com a Avenida Mato Grosso e na época áurea da nossa política estadual, ali aconteciam os grandes comícios. Nós estudantes muitas vezes íamos apreciar os discursos dos grandes oradores como Antonio Mendes Canale, Wilson Barbosa Martins, Plínio Barbosa Martins, Rachid Saldanha Derzi, Pedro Pedrossian, cada um tentando convencer os ouvintes, era uma batalha jurídica, cada um com a sua ideologia. Isso não acontece mais, pois nossos políticos de hoje não têm característica própria, a conveniência está acima de tudo.
Muita gente não sabe o porquê da Rua 14 de julho ter este nome de batismo, é uma homenagem a um acontecimento na França no ano de 1789, ficando conhecida por ter sido o palco do evento histórico conhecido como a Queda de Bastilha em 14 de julho de 1789, está entre os fatos mais importantes do início da Revolução Francesa. Entre 5 de maio de 1789 a 9 de novembro de 1799, muitos acontecimentos alteraram o quadro político e social da França. Ela começa com a convocação dos Estados Gerais e a Queda da Bastilha e se encerra com o golpe de estado do 18 Brumário de Napoleão Bonaparte. A 'Bastilha' , em francês Bastille, mais conhecida por ter sido uma prisão, funcionou desde o início do século XVII até o final do século XVIII, hoje o local da antiga prisão, situada a Place de la Bastille (Praça da Bastilha) em Paris. A data tornou-se feriado nacional na França, sendo comemorada anualmente. É popularmente chamada de "Dia da Bastilha", apesar de na França denominarem-na "Fête Nationale" (A Festa Nacional).
Quanto ao nome dado à principal artéria da nossa capital, consta no livro do escritor historiador campo-grandense Paulo Coelho Machado, em seu livro “A Rua Principal”, que assim escreveu: “Foi antes da ferrovia que o vereador Miguel Garcia Martins, em homenagem à queda da Bastilha, propôs o nome de 14 de Julho para a nossa principal artéria de hoje, que era chamada simplesmente de beco, porque ali existia apenas um trilheiro deserto, curto e sem saída”.
Não sabemos qual é o nome verdadeiro da Rua mais antiga de Dourados que comemora o seu aniversário de emancipação política em 20 de dezembro. Hoje em Dourados aparecem nomes de ruas que ficamos pasmados, pois são homenageadas muitas pessoas que ficamos na dúvida, se fizeram algum bem para nossa cidade, mas percebe-se que foram escolhidas em cima de critérios políticos do que historicamente seus atos mereceram.
Nós douradenses temos que ter mais garra e amor à nossa cidade, cobrando dos nossos administradores, dos vereadores, deputados estaduais e federais mais, para que nossa cidade um dia chegue próxima à capital. Aqui muito se reclama da capital, mas o que atrapalha o nosso progresso são os interesses individuais. Precisa de um projeto político não apenas para eleger o governante a cada quatro anos.
Parabéns Campo Grande, cidade morena!
Dourados-MS, 14 de julho de 2011.
José Tibiriçá Martins Ferreira é advogado