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Opinião

Acho que vou passar férias no Iraque...

23 de agosto 2011 - 21h40 Por Paulo Gomes da Silva
Acho que vou passar férias no Iraque...
Esse título parece absurdo... Mas acredite, talvez seja mais seguro fazer isso.

Aquilo tudo que vimos acontecer a alguns dias é algo que, em condições normais, não passaria de ficção ou roteiro de filme policial. Mas, infelizmente, tudo foi real e nos deixa assustados, preocupados, com medo.

Não é possível que numa cidade como Dourados aconteçam tantos crimes, todos com requintes de violência, sem que ninguém tome uma atitude para recolocar nossa cidade nos trilhos.

Ver tantos assassinatos em tão pouco espaço de tempo faz com que a gente sinta um sentimento de abandono à própria sorte, já que não vemos, por parte das autoridades, qualquer movimentação no sentido de corrigir os erros, prender bandidos, e dar um mínimo de proteção à população.

Quando contabilizamos, em menos de 24 horas, cinco assassinatos, fica claro uma coisa. Alguém precisa tomar uma atitude para frear a onda de violência, antes que ela se transforme num tsunami, e com sua força saia arrastando as vidas que restam entre a população de bem.

Mas o pior é vermos as autoridades se postarem, estáticas, inertes, inócuas, sem dar uma resposta àqueles que buscam levar uma vida correta, deixando-nos à mercê da própria sorte, sem ter a quem recorrer.

E ainda vemos coisas piores, como por exemplo, colocar na rua pessoas que cometeram crimes, sob a desculpa de esvaziar as cadeias superlotadas; leis que visam desarmar a população - de bem - mas que permitem que criminosos continuem cada vez mais armados.

Vem à mente uma pergunta. O que está por trás disso tudo? Será que existem interesses obscuros tentando implantar definitivamente o caos para que assim outros crimes sejam encobertos? Prega-se o combate à violência, ao crime, mas não vemos nada além de discursos demagogos e hipócritas sendo disparado da boca de políticos que deveriam estar agindo mais e falando menos.

E nós? A população?

É revoltante saber que se um cidadão de bem for flagrado portando uma arma que seria usada, se necessário, para sua defesa, seja tratado como um bandido. Será que as autoridades não perceberam que o homem de bem não fará uso indevido dela, pois ele sabe que no caso de necessitar de defesa, suas posses serão lenta e gradualmente apossadas por aqueles que forem designados para lhe defender?

Mas os ditos "homens do poder" não percebem, ou fazem de conta que não sabem disso, embora eles tenham as suas armas escondidas. E suas armas são as piores que existem, como por exemplo uma caneta que só assina o que lhes convém.

Já passou da hora da população reagir e cobrar desses "pseudo-representantes" atitudes dignas e honestas que venham realmente de encontro ao anseio de cada um que trabalha, busca crescer honestamente, batalha por um futuro melhor, sua a camisa para tentar dar um pouco mais de conforto à sua família.

Precisamos dar um basta nisto tudo. Precisamos de homens de bem, de pulso forte, tomando as rédeas e colocando um ponto final nesta derrama de irresponsabilidades e crimes para que possamos vislumbrar um futuro digno e sem medo. Para que possamos, como se fazia antigamente (e isso sem saudosismo) sair à rua, conversar com amigos, sentar na praça, ir a algum lugar onde possamos desfrutar de momentos de lazer sem estarmos preocupados, com medo, sobressaltados.

Precisamos extirpar de nossas vidas tudo aquilo que só nos tem prejudicado e causado horror. Precisamos voltar a viver antes que seja mais seguro passarmos alguns dias de férias na Líbia... no Iraque... no meio de uma guerra qualquer.

E por isso quero deixar minha sincera sugestão. Atenção sociedade organizada... OAB, Maçonaria, Clubes de Serviço, Conselhos, Associações, entidades religiosas, o Observatório de Dourados, Polícias Federal, Civil, Militar, Guarda Municipal, Juízes, Professores, Médicos, enfim, toda a sociedade organizada. Vamos nos unir antes que seja tarde. Vamos convocar uma grande reunião para que discutamos os rumos que queremos para nossa cidade e desta discussão, tiremos um documento, uma "Carta pela Segurança" e vamos encaminhá-la aos nossos políticos, pois já que não tomaram iniciativa, tomemos nós. Do jeito que está, esse nosso Brasil (grande como o mar) não está para peixes nobres, apenas para os grandes e vorazes tubarões. Vamos juntos lutar para devolver o brilho da vida a Dourados.

Paulo Gomes é servidor público aposentado - e-mail: [email protected]