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Opinião

Operação “Uragano”: um ano depois

01 de setembro 2011 - 11h50 Por Ribeiro Arce
Operação “Uragano”: um ano depois

Neste 1º de setembro completa um ano da deflagração da operação “Uragano” (furacão em italiano), levada a cabo pela Polícia Federal, Promotoria Pública e Judiciário, responsável pelo desbaratamento de uma quadrilha de usurpadores do dinheiro público na cidade de Dourados e que respingou no Legislativo, Ministério Público e Judiciário do Estado. 1º de setembro de 2010 entrou para a história de Mato Grosso do Sul como o dia em que se registrou um dos maiores escândalos políticos dos últimos anos.

Naquela fatídica manhã do dia 1º de setembro de 2010 a população douradense se estarreceu com a quantidade de agentes políticos presos acusados de corrupção. Também não é para menos, a ação da Polícia Federal deixou a cidade órfã de representantes no executivo e no legislativo com a prisão do prefeito da época e seu vice, respectivamente Ari Artuzi e Carlinhos Cantor, do presidente da Câmara Sidlei Alves e mais sete vereadores e de vários secretários do município. Quatro meses depois de estourar o escândalo, todos os protagonistas estavam em liberdade e a cidade começava a se limpar do lamaçal e se preparar para eleger um novo prefeito e a câmara para cassar os vereadores denunciados.

Um ano depois muita gente pergunta. A justiça condenará ou inocentará os envolvidos? Enquanto não sai a decisão judicial o que se ouve é muita conversa de bastidores. Dizem até que tudo acabará em pizza. Nessa hipótese eu não acredito. Não é possível que depois de tanto estardalhaço, imagens de políticos pegando dinheiro e sorrindo para as câmeras, gravações de áudio e outras provas robustas os envolvidos serão inocentados como se nada tivesse acontecido. Se isso realmente acontecer teremos que pedir a prisão do delegado Galloni, da juíza Dileta e dos promotores que atuaram no caso.

E a população que lição tirou desse escândalo? Com certeza tirou muitas. Uma avaliação com mais prudência só será possível fazê-la com o passar de mais tempo. O ano de 2012, quando teremos eleições para prefeito e vereadores, será uma boa oportunidade de avaliar o comportamento do eleitor douradense. Se o eleitor não embarcar nas falsas promessas, no oba oba eleitoral do tapinha nas costas, abraços, beijos e na famigerada compra de votos é um sinal positivo que o episódio “Uragano” serviu de lição.

Espera-se que além de eleger, o eleitor utilize-se dos inúmeros mecanismos existentes para fiscalizar o mandato do agente político, acompanhando a aplicação do dinheiro dos tributos, as licitações, contratações de servidores comissionados, execução dos projetos de obras de infraestrutura, dentre outras ações da prefeitura e câmara de vereadores. Se o povo acompanhar e fiscalizar os governantes, a possibilidade da ocorrência de desvio de recursos públicos diminui significativamente.

O escândalo de roubalheira acontecido em Dourados, desvendado pela operação “Uragano”, é um episódio para não se esquecer tão cedo, até por que o caso ainda não foi concluído. Os processos estão na justiça aguardando julgamento, o povo tem que ficar vigilante até a sentença final do caso pelo judiciário. Mesmo sem julgamento, o eleitor pode fazer a parte dele não votando em político ficha suja.

O autor é professor da rede estadual de ensino de MS. E-mail: [email protected]