Alguns elementos podem ser observados nesta situação: de um lado a multidão que queria se divertir às custas da vida daquela mulher; e de outro os escribas e fariseus, que queriam colocar Jesus num beco sem saída. Se Jesus tivesse concordado com a execução da mulher, então, o seu ministério de amor seria uma farsa. Por outro lado, se Jesus determinasse o perdão da mulher, estaria indo contra a lei de Moisés. O que não poderia ocorrer. Uma vez que Ele próprio já afirmara que não viera a revogar a lei de Moisés, mas sim a cumpri-la.
Jesus esperou mais alguns minutos, até que a multidão armada com as pedras, exigiu de Jesus uma posição, um pronunciamento, uma decisão, uma sentença. Jesus se levantou e disse uma coisa que ninguém esperava. Ele não disse “sim”, não disse “não”. Mas a sua resposta não poderia ter sido mais dura, mais eficaz, mais cortante e penetrante: “aquele que não tem pecado, seja o primeiro a atirar a pedra”.
E a Bíblia diz que aos poucos a multidão se dispensou. Todos foram para suas casas, acusados pela própria consciência, deixando a mulher e Jesus sozinhos. Jesus não disse: “quem não é adultero atire a primeira pedra”, dando a entender que os que não eram adúlteros poderiam condenar aquela mulher. A exigência, o requisito, a habilitação exigida por Jesus para que alguém pudesse condenar aquela mulher era uma condição intransponível: não ter pecado, não ter nenhum pecado.
Não obstante, nós pensarmos que podemos jogar pedra sobre aquele que comete os pecados que nós não cometemos. Isto é, pensamos que podemos condenar os adúlteros porque não cometemos adultério; os ladrões porque não roubamos; e assim sucessivamente. Olhamos para os pecados dos outros e nos julgamos melhores do que os outros. Quando nós condenamos alguém, nós nos declaramos melhores do que as pessoas que condenamos. Precisamos nos lembrar que pecado não é só roubar, matar, adulterar, como muitos pensam. Mas pecado é tudo aquilo que fere, ofende, magoa e entristece o meu próximo, o coração de Deus e o Espírito Santo de Deus.
Lembre-se de que o fato de não ter cometido o mesmo pecado de quem você quer condenar. Não te autoriza a fazê-lo. Quando nos arrependemos, não importa o que fizermos ou deixarmos de fazer. O que importa é se nós cremos ou não na misericórdia, no perdão, na regeneração e no amor de nosso Deus. Aquela mulher teve a sua chance, eu tive a minha chance. Outros precisam de uma nova chance também. Amém?
Mário Antonio da Silva é presidente da Conselho dos Pastores Evangélicos de Dourados e da Igreja Batista Nova Jerusalém em Dourados